Cobrir e descobrir

Por Rodrigo Manzano, Diretor Editorial; Fotos: Pya Lima, colaboração para Imprensa, enviados a Pequim, China | 10/03/2010 17:54
Integrar os valores do mundo contemporâneo - imprensa livre, inclusive - e manter a estabilidade política e o desenvolvimento econômico são os desafios da China após seis décadas da fundação da República Popular, em 1949. O que se vê é um país em reconstrução: entenda como o jornalismo e a comunicação acompanham esse processo



Quinze minutos depois, os ideogramas escritos em água no chão em frente ao pórtico do Templo do Céu começam a evaporar sob o frio de treze graus negativos. Desde que se aposentou em 2000, Yu Zuncheng oferece seus longos sábados e domingos à efêmera poesia para a qual é preciso abaixar a cabeça quando se lê. O velho traduz: "Preocupado com o ganho, preocupado com a fama, descanse e prepare você mesmo uma taça de chá; / trabalho mental duro, trabalho manual pesado, torne o amargor alegria com duas taças de vinho".

Enquanto a China escala os degraus da economia global e tenta convencer o mundo de que as mudanças que tem empreendido em sua política devem ser entendidas como um evidente sinal de abertura, Yu Zuncheng descansa. Não à toa. Ele dedicou mais da metade de sua vida ao jornalismo, seja como intérprete e tradutor, seja como repórter e correspondente internacional pela Xinhua, a poderosa agência chinesa de notícias.

O que Zuncheng viu na China dos últimos 70 anos ficou parcialmente escondido atrás do grande muro ideológico que separava o Império do Meio do restante do mundo. Enquanto autoridades se esforçam para manter em pé a quilométrica estrutura milenar da Grande Muralha, tendências internas do próprio governo e de dirigentes dos veículos de comunicação se engajam numa planejada, silenciosa e coerente demolição do muro político que restringiu o trabalho de jornalistas, implementou rígidas regras de controle da informação e transformou os meios de comunicação em tão e somente um aparelho de propaganda sob os interesses do onipresente Partido Comunista Chinês. Ainda que restem muitos escombros a serem removidos, o velho jornalista Yu Zuncheng está otimista. "Eu nasci em 1940, ainda me lembro de como éramos pobres e vejo como a China se desenvolveu. Hoje a situação está melhor.
Eram dias muito difíceis e sequer poderia conversar com vocês", compara.

Leia a matéria completa na edição 254 de IMPRENSA

Acompanhe o Hot Site especialmente produzido para a viagem

Mais imagens: