Acervo fotográfico da Bloch Editores não recebe lances em leilão

Por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA | 22/09/2009 17:00

Contrariando as expectativas dos ex-funcionários da massa falida da Bloch Editores, nenhum lance foi feito ao acervo fotográfico da empresa durante leilão ocorrido na tarde desta terça-feira (22), na cidade do Rio de Janeiro.

Avaliado em R$ 2 milhões, o acervo possui material produzido por fotógrafos das revistas Manchete, Fatos e Fotos, Amiga, Desfile, Sétimo Céu, Geográfica Universal e Pais & Filhos, e reúne mais 12 milhões de fotos, cromos e negativos. A venda do arquivo se destina ao pagamento dos créditos de dívidas trabalhistas aos ex-funcionários da empresa, que faliu em 2000. O arquivo possui também fotos que não foram publicadas.

De acordo com Jussara Razzé, integrante da Comissão de Ex-Empregados de Bloch Editores, o leilão foi aberto com o valor previsto, mas por não haver manifestação de lance, uma nova proposta foi feita pelo leiloeiro Fernando Braga, dessa vez com abatimento de 50%. Mesmo assim nenhum dos presentes se manifestou e a data para um novo leilão deverá ser estipulada pela Justiça.

José Carlos Jesus, presidente da Comissão dos Ex-empregados de Bloch Editores, lamentou a ausência de lance dos interessados no acervo e sublinhou a falta de "valor que se dá a cultura e a memória do país". "Isso é muito triste. Amanhã, aquilo tudo pode virar pó, não dá para entender", disse José Carlos. Em sua avaliação, "o governo deveria se empenhar para arrematar o acervo por duas razões: pela questão social referente ao pagamento do ex-funcionários e pela preservação de um patrimônio histórico que pode se perder".

O leiloeiro Fernando Braga advertiu que o prédio da Manchete só foi vendido na terceira edição do leilão e por valor expressivamente superior aos R$ 38 milhões estipulados. Para ele, é normal que na primeira apresentação do material os interessados fiquem receosos e aguardem pela movimentação mercadológica.

Braga ressaltou que para adquirir o acervo é preciso capital para arcar também com os custos de preservação física e de digitalização do arquivo. Ele acredita que surgirão mais interessados no acervo após repercussão do resultado do leilão desta terça.

Indenização dos ex-funcionários da Bloch

Dos cerca de 2500 funcionários habilitados pela Justiça, 1700 já receberam os valores referentes aos créditos trabalhistas devidos pela massa falida da Bloch. Por volta de oitocentas pessoas ainda não retiraram os cheques de indenização, destes, quinhentos ainda precisam requisitar habilitação judicial para participar do processo indenizatório.

Porém, segundo informa Jussara Razzé, os valores pagos aos ex-funcionários têm base de cálculo do ano de falência da Bloch, 2000, e precisam ser reajustados. "Nós ainda não sabemos como iremos fazer para receber o [valor] referente aos anos posteriores ao da homologação da falência", disse.

Por enquanto, O dinheiro das indenizações provém, apenas da venda do leilão do prédio da Manchete, em maio, que arrecadou R$ 64, 5 milhões.

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