Ministério Público de SP rebate acusação da Record de favorecimento à Globo

Redação Portal IMPRENSA | 17/08/2009 18:03

Em comunicado divulgado à imprensa nesta segunda-feira (17), o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) rebateu a matéria exibida no último domingo (16) pelo programa "Repórter Record", da Rede Record, que o acusava de favorecer a TV Globo em entrevistas e reportagens.

Na nota, assinada pelo Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, o MP-SP justificou o episódio citado pela Record, referente a um depoimento do traficante Luiz Fernando da Costa, o "Fernandinho Beira-Mar", exibido pela concorrente.

Colhido pelo promotor de Justiça Roberto Teixeira Pinto Porto e por outro membro do MP - envolvidos na denúncia contra o bispo Edir Macedo por corrupção e lavagem de dinheiro - o depoimento seria, de acordo com a reportagem da Record, uma forma de favorecer a Globo.

Em sua defesa, o MP afirmou que o depoimento "foi apurado em procedimento próprio pela Procuradoria-Geral de Justiça, em 2004. Como nenhuma ilegalidade foi constatada, foi proposto o arquivamento do procedimento, o que foi homologado pelo Tribunal de Justiça, após reexame da matéria pelo desembargador Denser de Sá".

Além disso, o órgão explicou que a denúncia oferecida à Justiça pelos promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)-Núcleo São Paulo, contra dez pessoas ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus, "se deu com base nos fatos e elementos de prova que constam do inquérito policial instaurado para apuração dos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, tendo sido recebida pelo juiz Dr. Gláucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal de São Paulo", informou o texto.

O MP-SP também afirmou que a juíza Patrícia Alvarez Cruz, citada na reportagem, nunca atuou no processo criminal em questão que, "conforme já explicado, é presidido pelo juiz Dr. Gláucio Roberto Brittes".

"O Ministério Público Estadual continuará exercendo seu papel constitucional, sempre respeitando o devido processo legal, e em hipótese alguma se deixará intimidar em razão de distorções dos fatos e insinuações perpetradas por quem quer que seja", conclui a nota.

Universal pede abertura de sindicância no MP-SP

Também em nota, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) afirma que "entrou hoje com pedido de abertura de sindicância contra os promotores do Ministério Público do Estado de São Paulo responsáveis pela denúncia contra dez de seus membros encaminhada à Justiça. Segundo a Universal, o pedido é baseado em "denúncias sobre a conduta de alguns promotores, veiculadas pela imprensa desde ontem [domingo - 16/08]".

Ainda na nota, a IURD demosntra repúdio às acusações de que privilegia a Rede Record na compra de horários para seus programas. "Desde 2007, a Igreja Universal tenta, sem sucesso, adquirir espaços na programação nacional da Rede Globo e da Rede SBT, emissoras que, além da Record, detêm índices de audiência desejados pela instituição. Como uma entidade evangélica, a Igreja Universal acredita na propagação do Evangelho por meio de veículos de comunicação de massa", disse.

De acordo a Universal, foram enviados pedidos aos departamentos comerciais tanto da TV Globo, quanto do SBT no primeiro trimestre de 2007. A Globo teria recusado e o SBT "sequer deu resposta".

A nota é finalizada com a informação de que nesta segunda-feira (17), a IURD teria enviado mais um proposta de compra de horários na programação da Rede Globo.

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