Uso de jornais em salas de aula estimula hábito de leitura e a cidadania, diz pesquisa

Por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA | 21/10/2008 18:27

Muito mais do que levar notícias e informação, o jornal pode ser utilizado como ferramenta em salas de aula para atividades pedagógicas, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento dos alunos. Essa é uma das conclusões da Associação Nacional de Jornais (ANJ), divulgada em seu Relatório da Pesquisa Qualitativa sobre os Programas Jornal e Educação (PJE), mantidos pela entidade.

Nestes programas, a ANJ insere e monitora o uso de jornais como ferramenta pedagógica, com alunos de dez a 14 anos, especialmente os estudantes do Ensino Fundamental. O relatório trouxe dados de grupos formados em sete capitais do país, sendo elas Brasília (DF), Recife (PE), Fortaleza (CE), Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Florianópolis(SC). A escolha dos locais levou em conta a amostragem nacional, sendo que todas as regiões do país foram representadas. Além disso, como forma de baratear os custos da pesquisa, as capitais tiveram prioridade.

Mais leitura, mais consciência

Segundo o relatório, as matérias que mais utilizam dos jornais como ferramenta pedagógica são Português, História, Geografia e Ciências. "Os professores tiram textos dos jornais para colocar nas provas, para trabalhar na sala de aula com a gente", disse um aluno do Ceará*.

Os textos dos jornais servem para identificação de orações, interpretação de texto e redação. Além disso, as matérias são utilizadas para discussões sobre acontecimentos cotidianos e debates. Existem grupos de alunos que criaram seus próprios jornais, noticiando acontecimentos da escola ou do bairro onde moram, além de transformarem textos de livros didáticos em matérias jornalísticas.

Como resultado, percebeu-se um desenvolvimento do estudante, que extrapola as médias escolares. "O aluno que lê também tem uma oralidade muito melhor que aquela criança que não lê. Principalmente se ele lê jornal, que tem uma diversidade muito grande de informação, vai poder falar sobre qualquer assunto. Qualquer tema que é abordado dentro ou fora da sala de aula ele tem conteúdo para falar", diz um professor do Ceará.

Os estudantes passaram a estar mais atentos aos acontecimentos de seu Estado e país e a entederem mais sobre seus direitos e deverem após a inserção dos jornais em salas de aula. "O jornal tem um papel fundamental. Quando vimos aquelas notícias, denúncias, acabamos  descobrindo um pouco mais os nosso direitos", disse um aluno do Pará. "O jornal deixa a gente mais atualizado e a gente acaba respeitando mais o outro, entendendo melhor o que está acontecendo", completa outro estudante, mas de Santa Catarina.

"O jornal tem ajudado principalmente nessa questão do conhecimento da realidade, de criticidade, porque você provoca muito debate em sala de aula. Não melhora só em português, melhora em tudo, porque a gente trabalha com a interdisciplinaridade dos conteúdos", aponta uma professora do Distrito Federal.

De acordo com os estudantes, uma das vantagens do Programa Jornal e Educação é ter acesso a uma mídia que antes eles não tinham. "A gente tem oportunidade de levar os jornais para a casa. Temos oportunidade de levar o jornal para outras pessoas, fora da escola", disse um aluno do Ceará. O anseio por se ter o jornal em casa apareceu em vários grupos, principalmente, por parte dos alunos que vêm de uma situação econômica mais desfavorável. Nessas comunidades, o jornal é considerado um "produto de luxo". Por isso, o Programa é reconhecido por facilitar o acesso ao jornal, que passa a ser lido pela família e até pelos vizinhos, informa o relatório da ANJ.

Sugestões para os jornais

Os adolescentes pesquisados aproveitaram para sugerir mudanças aos periódicos. Segundo os estudantes, a linguagem utilizada não favorece ao entendimento de jovens leitores. "Os alunos deram várias sugestões para facilitar a leitura do jornal. Eles demandam que o jornal tenha uma linguagem mais jovem que seja entendida por eles, um glossário com palavras-chave e índice para ajudar na busca por matérias. Também querem ver mais textos produzidos por eles (alunos) no jornal. Publicar textos de escritores da mesma faixa etária é um ponto que aumentaria a vontade de ler os jornais", diz a Associação.

Outra sugestão, é de que os jornais tenham maior número de notícias voltadas para o público da faixa etária de dez a 14 anos, com mais informações condizentes com seu cotidiano. "O jornal deveria evitar notícias de morte e de violência e poderia abordar mais assuntos sobre os problemas na gravidez e suas soluções", ressalta uma aluna. 


Abaixo, as principais conclusões da pesquisa:

A inserção de jornais em salas de aula:

- Melhora os hábitos de leitura;
- Melhora os hábitos de leitura de jornal por mostrar os aspectos positivos das notícias;
- Melhora as notas dos alunos;
- Melhora a assimilação dos conteúdos escolares;
- Amplia vocabulário e expressão verbal/escrita;
- Amplia imaginação, interpretação e a criatividade;
- Favorece o trabalho em grupo;
- Facilita o acesso ao jornal para os alunos e seus familiares;
- Favorece a concentração e a disciplina na sala de aula;
- Favorece a aproximação com a família;
- Motiva o aluno a ir para aula;
- Impacto positivo em avaliações nacionais e internacionais;
- Jornal serve de apoio ao livro didático;
- Promove interdisciplinaridade e socialização entre os alunos e professores;
- Integração de alunos especiais.

*A identidade de alunos e professores foi mantida em sigilo pela Associação Nacional de Jornais
 

Leia o que já foi publicado sobre a ANJ

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