Minimanual lançado no Brasil orienta jornalistas na pauta sobre as mudanças climáticas

Redação Portal Imprensa | 02/09/2020 10:43

“Os problemas mais sérios desse país não são um furo de reportagem. Mas a gente não pode permitir que isso se normalize”. A declaração da jornalista Sônia Bridi se referiu à pauta dos problemas enfrentados pelo meio ambiente e mudanças climáticas que vêm se intensificando no Brasil e no mundo, mas nem sempre viram notícia.

Crédito:Christian Braga / Greenpeace
Queimada na Amazônia registrada em agosto deste ano pelo Greenpeace


Autora do livro ‘Diário do clima’, ela falou durante o lançamento virtual do Minimanual para cobertura jornalística de mudanças climáticas, que ocorreu nessa segunda-feira (31) e foi transmitido na página do Observatório do Clima no Facebook.


“Quando vi a iniciativa do manual pensei ‘por que não tive isso quando estava começando, me custou compreender todos esses conceitos científicos. Isso vai facilitar muito e lembrar [aos jornalistas] sempre que há uma pauta importante e urgente”, completou.


A publicação brasileira é uma versão ampliada e em português do decálogo “Los Medios de Comunicación y el Cambio Climático publicado na Espanha (clique para acessar).


O objetivo dos pesquisadores é evidenciar a urgência e necessidade de discutir a cobertura da crise climática, em um momento de negação dos problemas ambientais. “A gente agora está no holofote para o lado negativo, com políticas extremamente impactantes, a agenda climática completamente destruída”, ressaltou Andrea Santos, secretária Executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas da UFRJ, também presente no lançamento.


O guia reúne recomendações e dicas para contribuir com a disseminação e qualificação da pauta ambiental no Brasil, além de verbetes técnicos relacionados ao tema, e é destinado a jornalistas, acadêmicos e estudantes.


Para a professora Márcia Franz Amaral, entre os desafios da cobertura sobre mudanças climáticas está o de aproximar o tema das pessoas, mostrando, por exemplo, suas relações com alguns desastres que o Brasil vivencia periodicamente. “Os jornalistas precisam de apoio para fazer um jornalismo crítico tanto em iniciativas mais especializadas, quanto em produtos noticiosos que visam à popularização dos termos técnicos sobre as mudanças climáticas e o manual tem esta intenção”, explica.


A professora Eloisa Beling Loose, especialista na área de Comunicação e Clima, afirma que a cobertura sobre o tema ainda é restrita no país, sendo focada sobretudo em consequências, e não nas soluções ou respostas à emergência climática.


Já para a professora e líder do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental, Ilza Girardi, a publicação do minimanual surge num momento crucial em que a humanidade precisa repensar seus rumos para o enfrentamento das mudanças climáticas, que é um processo que está em curso graças às políticas desenvolvimentistas adotadas pelos países, em especial os mais ricos. 


O minimanual foi elaborado em uma parceria entre o Grupo de Pesquisa de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria, o Grupo de Pesquisa de Jornalismo Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e o Grupo de Investigación Mediación Dialéctica de la Comunicación Social da Universidad Complutense de Madrid.


O projeto gráfico e editoração do e-book foram executados pela acadêmica de Desenho Industrial Tayane Senna, e as ilustrações pela também acadêmica de Desenho Industrial, Polyana Santoro, do Laboratório de Experimentação em Jornalismo da UFSM (LEX), coordenado pela professora Laura Storch e pelo jornalista Lucas Missau. A obra é uma publicação da Editora Facos.


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