Casa Branca elabora 'dossiê' sobre jornalista que cobre negócios de Trump, diz jornal

Redação Portal Imprensa | 31/08/2020 11:06

Um porta-voz da Casa Branca admitiu na semana passada que o governo americano está elaborando um "dossiê" sobre um repórter do Washington Post que frequentemente faz reportagens sobre os negócios particulares do presidente Donald Trump, disse matéria da Forbes.

Crédito:Pixabay
Casa Branca


O jornalista David Fahrenthold, vencedor do Prêmio Pulitzer em 2017 por "lançar dúvidas sobre as afirmações de generosidade de Donald Trump para instituições de caridade", publicou reportagem semana passada em que afirma que o Serviço Secreto dos Estados Unidos pagou quase 1 milhão de dólares para a Organização Trump após 270 visitas de Trump durante sua presidência.


O Serviço Secreto é uma organização federal responsável por prevenir e investigar crimes financeiros e proteger o Presidente, o Vice-presidente e suas famílias, além de outras autoridades.


Na reportagem intitulada “Aluguel de quartos, taxas de resort e transporte de móveis: como a empresa de Trump cobrou do governo dos EUA mais de US$ 900.000”, no Washington Post, o porta-voz da Casa Branca Judd Deere acusou o jornal de "interferir descaradamente nas relações comerciais da Organização Trump", e disse que "isso deve parar".


“Informamos que estamos construindo um 'dossiê' muito grande sobre as muitas histórias falsas de David Fahrenthold e outros, pois são uma vergonha para o jornalismo e o povo americano”, declarou Deere.


O governo americano tem um relacionamento conturbado com a imprensa, que oscila entre frieza e hostilidade. Donald Trump já postou insultos a profissionais da mídia em seu perfil no Twitter e repreendeu jornalistas em coletivas de imprensa, enquanto aplaudia apoiadores que importunavam os repórteres.


Trump também postou mensagens em tom ameaçador, quando em 2019 disse que os meios de comunicação estavam "pisando em um território muito perigoso". Ele chegou a revogar temporariamente o acesso de um correspondente da CNN à Casa Branca e tentou aplicar um novo padrão mais rigoroso para os correspondentes manterem o acesso ao prédio.


O jornalista Fahrenthold recebeu o comentário da Casa Branca com uma solicitação no Twitter: “Se você acha que o Washington Post errou, queremos saber sobre isso. Não precisa ser um dossiê e você não precisa ser o presidente. Ouvimos todo mundo”.


Alguns internautas disseram que a mensagem da Casa Branca de que o repórter "deve parar" é uma violação potencial da Lei Hatch, que proíbe funcionários do serviço público federal de se envolverem em algumas ações políticas.


Fahrenthold ainda ressaltou que a Casa Branca está isenta de obedecer a Lei de Liberdade de Informação, o que significa que o dossiê não pode ser obtido legalmente, a menos que a própria instituição vaze ou divulgue voluntariamente o documento. Em julho, o governo enviou à oposição documentos semelhantes, o que mostra uma disposição em atender a possíveis pedidos de informações sobre o jornalista que constem no dossiê.


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