Crítica à flexibilização das regras de posse de armamentos torna comentarista da Cultura vítima de perseguição judicial

Redação Portal IMPRENSA | 21/08/2020 14:25
Um comentário sobre a flexibilização das normas de posse de armamentos no Brasil, feito no Jornal da Cultura pelo economista Ricardo Sennes, no dia 24 de abril último, levou colecionadores de armas e caçadores a promover uma perseguição judicial contra o comentarista da TV Cultura.

Segundo o colunista da Folha de São Paulo Rogério Gentile, foram movidos dezenas de processos, em mais de 30 cidades do país, "numa campanha orquestrada pelas redes sociais com o objetivo de obrigar o economista a gastar dinheiro com advogados e até mesmo a se deslocar, em plena pandemia, para participar de audiências em vários municípios".
Crédito:Reprodução TV Cultura
Economista Ricardo Sennes, comentarista do Jornal da Cultura
Em seu comentário, Sennes falou sobre a determinação do presidente Jair Bolsonaro de revogar portarias do Exército destinadas a rastreabilidade e controle de armamentos no país.

O economista afirmou: “Ele [Bolsonaro] é um cara que o histórico era de relação com miliciano, com cara da área do armamento, que ele chama de colecionador. É traficante de arma, e as pessoas se assustam quando veem que ele tem esse tipo de comportamento.”

Ainda segundo Gentile, o juiz Roberto Chiminazzo Júnior, de Campinas (SP), que julgou um dos processos, concluiu que Sennes é vítima de ação "destinada a intimidar e causar despesas e incômodos". Na sentença o juiz condenou o autor por litigância de má-fé a pagar uma indenização de R$ 1.500 ao comentarista da Cultura.

Outro juiz, Daniel Borborema, de São Carlos (SP), afirmou que o objetivo dos colecionadores e caçadores “é constranger o réu, retaliar e desgastá-lo financeira e emocionalmente”.