Empresas de mídia são vítimas de ataques virtuais

Redação Portal IMPRENSA | 21/08/2020 10:19
Nesta quinta-feira (20), empresas de mídia denunciaram nas redes sociais que foram vítimas de ataques virtuais. 
 
A criadora da agência de checagem Lupa, Cristina Tardáguila, afirmou que publicações com informações falsas sobre a fundação e o funcionamento da Lupa circulavam no Facebook, no Twitter e no WhatsApp.
  
Já a Ponte Jornalismo informou no Twitter que o seu site saiu do ar porque vem sendo alvo de intensos ataques virtuais. 

Ataques homofóbicos 
Em uma nota oficial, a Lupa explicou que “vem sofrendo uma campanha coordenada de desinformação com viés homofóbico nas redes sociais. Em um post que circulou no dia 20.ago.2020, Gilberto Scofield Jr., diretor de Estratégias e Negócios da Lupa desde maio de 2019, e seu marido, Rodrigo de Mello, corretor de imóveis, foram falsamente apontados como fundadores da agência de checagem, chamados de militantes de esquerda e ativistas LGBT e acusados de censura”. 

A Lupa esclareceu ainda que Gilberto Scofield Jr. e seu marido, Rodrigo de Mello, não são fundadores da Agência. A Lupa informou ainda que não censura posts no Facebook ou em qualquer outro meio digital. Ela checa o grau de veracidade de conteúdos postados no Facebook e repassa à plataforma um link com a checagem feita. As verificações são realizadas a partir das denúncias dos próprios usuários da rede social.

“São comuns os ataques a checadores de fatos. Isso ocorre em todo o mundo. Alguns desses ataques, no entanto, cruzam o limite do aceitável. A Agência Lupa é plural e rechaça preconceitos. Posts contendo acusações infundadas a qualquer membro da Lupa serão armazenados e enviados ao departamento jurídico da empresa”, esclareceu a nota. 

O presidente da Abraji, Marcelo Träsel, lamentou as tentativas de deslegitimar o trabalho dos checadores e da imprensa. "A liberdade de expressão é um direito constitucional, mas não se sobrepõe a outros direitos quando se trata de mentir, ofender e caluniar alguém, ainda mais baseado em sua orientação sexual - o que configura preconceito inaceitável".

Crédito:Internet


Ataques geram instabilidade 
Por meio do Twitter, a Ponte Jornalismo afirmou que o seu site vem sendo alvo de intensos ataques e saiu do ar. 

“O site da Ponte Jornalismo está saindo do ar porque vem sendo alvo de intensos ataques. Pedimos desculpas por isso. Estamos fazendo tudo ao nosso alcance para voltar a colocar a Ponte de pé. Nosso jornalismo incomoda gente poderosa e com recursos. Esses ataques são frutos disso”. 

Um dos fundadores e editores da Ponte, Fausto Salvadori, explicou que o site vem enfrentando muita instabilidade há cerca de três semanas. 

“Hoje [quinta-feira] foi o pior dia. O site ficou um bom tempo fora do ar. Fomos impedidos de publicar reportagens por causa da instabilidade. Segundo a empresa responsável pela hospedagem do site, há indícios de que estamos sendo alvo de ataques de negação de serviços (DDoS). É praticamente impossível rastrear a origem de ataques desse tipo”. 

A Ponte realiza reportagens nas áreas de segurança pública e direitos humanos. “A gente incomoda tanta gente com o tipo de jornalismo que fazemos que é impossível dizer [o autor dos ataques]. Para nós, os ataques virtuais são um problema sério, porque se somam aos ataques analógicos que já recebemos no mundo real, na forma de processos judiciais”, complementa Fausto. 

A Ponte buscará aumentar a segurança do site para evitar outros ataques digitais. “O que faremos agora é aumentar a segurança do site contratando mais serviços e ferramentas de segurança digital. Já temos uns profissionais pesquisando isso para gente”, explica Antonio Junião, um dos autores da Ponte. 

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