Alvo de inquérito arquivado da PF, Sleeping Giants Brasil compra briga com o UOL

Redação Portal IMPRENSA | 19/08/2020 14:46
Reportagem de Amandi Audi e Rafael Moro Martins, publicada nesta terça (18) pelo Intercept Brasil, revelou que Ricardo Filippi Pecoraro, delegado da Polícia Federal em Londrina (PR), abriu um inquérito em 25 de maio para investigar o Sleeping Giants Brasil, perfil anônimo que expõe no Twitter anunciantes de sites de direita com histórico de publicação de fake news.

Aberto uma semana após o perfil começar a atuar no Brasil, o inquérito durou um mês e teria sido arquivado em julho, a pedido do Ministério Público Federal, por decisão da justiça. 

A intenção do delegado Pecoraro seria descobrir os dados e o endereço do responsável pelo perfil. Porém, sem indício de crime, não houve autorização da justiça para quebra do sigilo.
O Sleeping Giants alerta publicamente empresas que veiculam peça publicitárias digitais em sites propagadores de desinformação a partir da compra da chamada "mídia programática" em plataformas como Google AdSense.

Nesse sistema de publicidade digital, boa parte das empresas não sabe que o Google distribui seus anúncios a sites considerados propagadores de fake news. Alertadas pelo Sleeping Giants Brasil, elas muitas vezes pedem que o GoogleAdSense retire suas peças de propaganda de tais canais.

Segundo reportagem de Breiller Pires, publicada no El PAIS Brasil nesta quarta (18), em cerca de três meses de atuação o Sleeping Giants Brasil estima ter desmonetizado aproximadamente 1 milhão de reais de páginas e canais ligados à direita no país. 

Até o momento o perfil focou em três sites, todos com linha editorial bolsonarista e histórico de propagação de fake news: Brasil Sem Medo, Jornal da Cidade Online (JCO) e Conexão Política. 

Primeiro alvo do Sleeping Giants Brasil, o JCO teria perdido mais de 200 anunciantes e foi forçado a migrar para plataformas alternativas de monetização, como o programa de afiliados da Bet365, empresa de apostas britânica. 

Bitcoins e plataformas de financiamento coletivo menos conhecidas, especializadas na monetização de conteúdos ultraconservadores, também têm sido usadas por ativistas digitais associados ao bolsonarismo para driblar as campanhas do Sleeping Giants Brasil.   

Paralelamente, apoiadores e integrantes do Governo Bolsonaro também passaram a boicotar empresas que vetam anúncios nas páginas de seus aliados. 

No caso do Brasil Sem Medo, site criado por Olavo de Carvalho, além de cobrar de seus anunciantes a retirada de propaganda automática, o Sleeping Giants adotou a estratégia de denunciar empresas de pagamentos que fornecem serviços ao site para cobrança dos 290 reais pelo plano de assinatura anual. Uma delas, a Hotmart, descontinuou o oferecimento de sua tecnologia à categoria de produtos jornalísticos e periódicos de cunho político.

O Sleeping Giants também passou a expor PayPal e PagSeguro, plataformas utilizadas para o pagamento dos cursos online de Olavo de Carvalho e arrecadação de doações.

A PayPal bloqueou a conta de arrecadação de Olavo. Mas o PagSeguro, pertencente ao grupo UOL, alegou que, por lei, "instituições de pagamentos devem garantir acesso não discriminatório aos seus serviços e liberdade de escolha dos usuários finais.”

Há quem defenda, porém, que nenhuma empresa atenta contra a Constituição ao deixar de prestar serviço a propagadores de notícias falsas. 

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