Zuckerberg, Pichai, Bezos e Cook negam ataques às concorrentes em audiência no Congresso americano

Redação Portal Imprensa | 29/07/2020 18:48

Amazon, Apple, Facebook e Google. As quatro gigantes de tecnologia estão no foco de um debate sobre monopólios e práticas contra a concorrência, promovido nesta quarta-feira (29) por parlamentares do Subcomitê Judicial de Combate a Monopólios da Câmara dos Estados Unidos.

Crédito:Divulgação


Jeff Bezos da Amazon, Tim Cook da Apple, Mark Zuckerberg do Facebook e Sundar Pichai, do Google, falaram durante toda a tarde por meio de videoconferência, para defender seus negócios da acusação de sufocar a concorrência.


As empresas são investigadas há 13 meses por acusações de prejudicar rivais e consumidores. O domínio de mercado, segundo argumentou o deputado David Cicilline, presidente do painel, logo no início da audiência, pode ter sido ainda mais fortalecido durante a pandemia.


Chamadas de "imperadores da economia online", as empresas são acusadas por ele de "desencorajar o empreendedorismo, destruir empregos, aumentar os custos e degradar a qualidade".


“Essas plataformas podem cobrar taxas exorbitantes, impor contratos opressivos e extrair dados valiosos das pessoas e empresas que dependem delas”, disse Cicilline.


Para responder aos questionamentos, os CEOs levantaram a mão direita e prestaram juramentos remotamente.


Amazon


O primeiro a testemunhar foi Jeff Bezos, da Amazon, que disse ao Congresso estar fazendo a coisa certa, e que "nenhuma força no mundo deve ser capaz de mudar" uma empresa que reflete sobre as críticas.


Bezos afirmou que a Amazon está em um mercado lotado de marcas de varejo online - Target, Costco e Walmart, e que acredita que a sua empresa deve ser examinada. “Devemos examinar todas as grandes instituições, sejam elas empresas, agências governamentais ou organizações sem fins lucrativos. Nossa responsabilidade é garantir que passemos por um exame minucioso com cores vivas”.


O depoimento de Bezos era um dos mais esperados, no entanto, ele concentrou seu discurso em falar do investimento que seus pais fizeram nele, e ainda apontou que 80% dos americanos têm uma opinião favorável à Amazon.


A deputada Pramila Jayapal questionou Bezos sobre as alegações de que a Amazon usa dados de terceiros para se beneficiar e citou o testemunho de um funcionário anônimo da empresa de que existe uma regra contra o uso desses dados, mas que não são aplicados.


O CEO afirmou que existe uma política que proíbe o uso de dados de terceiros para apoiar os negócios de marca própria da Amazon, mas admitiu que não poderia “garantir que a política nunca foi violada”.


Facebook


Em seu discurso de abertura, o CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, citou de imediato a "intensa concorrência" que enfrenta. Ele apontou a plataforma de mensagens iMessage da Apple, a plataforma de vídeo TikTok e o YouTube, e disse que concorre com a Amazon e o Google no espaço publicitário.


A expansão do mercado chinês também fez parte de seu argumento. "Se você observar de onde vêm as principais empresas de tecnologia, há uma década a grande maioria era americana. Hoje, quase metade são chineses".


Ele foi questionado sobre e-mails internos da empresa que ele enviou em 2012 sobre a compra do Instagram, em que dizia que o aplicativo era "muito perturbador" para o Facebook.


O deputado Jerry Nadler disse que os e-mails mostraram que o Facebook via o Instagram como uma ameaça e, em vez de competir com ele, sua empresa o comprou.


O deputado Jayapal citou as negociações de Zuckerberg com o co-fundador do Instagram Kevin Systrom, em que ele teria dito que o Facebook estava "desenvolvendo nossa própria estratégia de fotos, de modo que a forma como nos envolvemos agora também determinará o quanto somos parceiros versus concorrentes".


Jayapal acrescentou que Systrom interpretou os comentários como uma ameaça, dizendo a um investidor que ele temia que Zuckerberg entrasse no "modo de destruição" se ele não concordasse em vender o Instagram.


Zuckerberg negou que essa fosse sua intenção. "Estava claro que este era um espaço em que competiríamos de uma maneira ou de outra", disse ele. "Não vejo essas conversas como uma ameaça de forma alguma."


Google


O presidente da audiência, Cicilline, ao falar sobre o Google, citou documentos da empresa que mostram funcionários preocupados com outros sites que poderiam ser uma “ameaça de proliferação”.


"Um dos memorandos do Google observou que certos sites estavam recebendo 'muito tráfego', então o Google decidiu por um fim nisso", disse Cicilline.


Sundar Pichai respondeu afirmando que “quando administro a empresa, estou realmente focado em dar aos usuários o que eles querem".


O deputado Gregory Steube, republicano da Flórida, reclamou de bloqueios ou restrições a conteúdos políticos pelo Google, ao que o CEO respondeu que “não há nada no algoritmo que tenha a ver com ideologia política" e que a empresa também recebe reclamações “do outro lado do corredor".


Apple


A Apple foi pouco questionada durante a maior parte da audiência. O CEO Tim Cook reforçou que a empresa é exclusivamente americana e seu sucesso só é possível nesse país. Ele ainda falou do número de empregos que ajudou a criar nos Estados Unidos.


Acusações


Pesa sobre a Amazon a acusação de abuso do papel de varejista e como plataforma que hospeda outros vendedores (marketplace). A Apple é apontada por usar sua influência sobre a App Store para bloquear rivais e forçar os aplicativos a pagar altas comissões.


O Facebook é acusado pelas concorrentes de monopolizar as redes sociais. A Alphabet, controladora do Google, enfrenta acusações de monopólio por causa do domínio do Google na publicidade online, pesquisa e softwares para smartphone.


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