Pesquisadores lançam guia para a mídia no combate à Covid-19

Kassia Nobre | 22/07/2020 09:31
Os pesquisadores Luiz Artur Ferraretto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e Fernando Morgado, das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), lançaram o livro “Covid-19 e comunicação, um guia prático para enfrentar a crise”.

“Nosso objetivo é difundir atitudes responsáveis de comunicação, apoiando o esforço da Organização Mundial da Saúde para combater a desinformação e conduzir o planeta a uma saída viável para os problemas gerados pela pandemia de covid-19”, explica Luiz Artur. 

O portal Imprensa conversou com o pesquisador sobre a construção do guia direcionado para comunicadores.

"No livro, trabalhamos com a ideia de que, na sociedade contemporânea, todos são produtores de conteúdo, havendo os leigos e os profissionais. Também consideramos de forma abrangente que existem diversos tipos de veículos: agências e assessorias de comunicação, jornais, revistas, estações de rádio, emissoras de televisão e serviços noticiosos e de entretenimento via internet. Nosso público principal é quem faz e estuda a comunicação profissional", complementa. 
 
A obra pode ser baixada gratuitamente no site do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS e está disponível em português, inglês e espanhol. 
 

Crédito:Divulgação

Portal Imprensa - Como surgiu a ideia da produção do guia prático e quem são os pesquisadores?
Luiz Artur Ferraretto  - Antes de mais nada, acho importante deixar bem claro como vemos o livro. Não se trata de uma obra que tenha nos agradado produzir. É o livro que tivemos a necessidade de escrever. Estamos em meio ao maior desafio da área de saúde pública da história da humanidade. Assim, nossa base precisava ser aquela recomendada por quem gere esse tipo de crise em nível global, no caso a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dentro do Núcleo de Estudos de Rádio (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), nós acompanhávamos os movimentos de emissoras e de profissionais desde o início da pandemia, mantendo um diálogo com o pessoal do mercado, e debatíamos internamente o que ocorria. É preciso também que fique claro o caráter do NER, o que explica o porquê de integrantes de um grupo voltado ao rádio produzirem uma obra desse tipo.

O livro foi inspirado naquela que consideramos a missão do NER: construir pontes entre os diversos agentes que compõem o rádio e, por extensão, a comunicação, oferecendo soluções, a partir da universidade, para a sociedade. A ideia do livro em si foi do professor Fernando Morgado, das Faculdades Integradas Hélio Alonso, que divide comigo a coordenação do núcleo. No dia 3 de abril, o Fernando sugeriu que produzíssemos algo dando conta do ocorrido no rádio e a partir do pesquisado por nós desde 2016, quando o NER foi criado. Eu vinha acompanhando planos de contingência da área de saúde para enfrentar a crise em si e me questionava sobre que tipo de apoio semelhante poderia ser pensado para a área de rádio. Dentro do grupo, já conversávamos informalmente sobre o impacto, por exemplo, do novo coronavírus no produto final do telejornalismo e da publicidade televisiva. É importante explicar que a maioria dos nossos integrantes e ex-integrantes tem passagem pelo mercado com atuação obviamente em rádios, mas também em jornais, estações de TV, portais de internet e redes sociais. Particularmente, eu já havia me dado conta da necessidade de uma estratégia coordenada da área de comunicação para auxiliar no combate à pandemia por minha esposa – a jornalista Elisa Kopplin Ferraretto – atuar como assessora da diretoria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, instituição de referência no combate à covid-19 em Porto Alegre.

Portanto, extrapolando pesquisas anteriores e baseados em constatações e no que a OMS recomendava, escrevemos o livro. Dada a urgência, foi em esquema de mutirão, o que significou jornadas de 12 a 15 horas diárias, da ideia até a disponibilização da versão em português em 13 de abril. O Fernando e eu fizemos o texto, que foi diagramado por ele, tendo sido realizada uma revisão técnica da parte de saúde pela Elisa. Contamos ainda com o apoio direto dos colegas de NER Gustavo Monteiro Chagas (divulgação) e Paloma da Silveira Fleck (montagem do site, algo essencial para possibilitar o download). Na sequência, o Fernando fez a tradução para o espanhol, com o apoio do Consulado da Argentina e do Instituto Cultural Brasil-Argentina, ambos do Rio de Janeiro, e o Guilherme Justino, também do grupo, providenciou a tradução para o inglês.

Portal Imprensa - O livro também foi disponibilizado em inglês e espanhol. Ele deve ser compartilhado em outros países e outras universidades?
Luiz Artur Ferraretto - Até o momento, meados de julho, tivemos quase 6 mil downloads a partir da página do Núcleo de Estudos de Rádio, onde estão os links para as versões em português, espanhol e inglês. Como houve divulgação por entidades como a Asociación Internacional de Radiodifusión (AIR), que agrupa emissoras de rádio e de TV das três Américas, e a Asociación Católica Latinoamericana y Caribeña de Comunicación (Signis ALC), temos registros de muitos downloads principalmente em países como Bolívia, Colômbia, Equador e México, tanto por pessoal ligado a universidades quanto a veículos de comunicação.

Sabemos que cópias dos três livros foram distribuídas espontaneamente. Incentivamos tais práticas. Nosso objetivo é difundir atitudes responsáveis de comunicação, apoiando o esforço da Organização Mundial da Saúde para combater a desinformação e conduzir o planeta a uma saída viável para os problemas gerados pela pandemia de covid-19.

Portal Imprensa - Quem é o público-alvo do livro e o que o leitor vai aprender com o guia? 
Luiz Artur Ferraretto  - No livro, trabalhamos com a ideia de que, na sociedade contemporânea, todos são produtores de conteúdo, havendo os leigos e os profissionais. Também consideramos de forma abrangente que existem diversos tipos de veículos: agências e assessorias de comunicação, jornais, revistas, estações de rádio, emissoras de televisão e serviços noticiosos e de entretenimento via internet. Nosso público principal é quem faz e estuda a comunicação profissional. Nesse sentido, elaboramos o guia a partir de cinco constatações em função da covid-19:

(1) Nunca foi tão necessário ter tanto conhecimento do que se divulga em agências e assessorias de comunicação, jornais, revistas, estações de rádio, emissoras de televisão e serviços noticiosos e de entretenimento via internet.
(2) Nunca foi tão necessário ter tanta precisão na veiculação de informações por esses veículos de comunicação.
(3) Nunca foi tão necessário combater fake news.
(4) Nunca foi tão necessário cuidar da saúde de quem produz comunicação.
(5) Nunca foi tão necessário pensar na sustentação econômica dos veículos de comunicação.
Com base nessas constatações, estabelecemos quatro valores a serem trabalhados por quem se dedica à comunicação de modo profissional:
(1) Flexibilidade, remetendo à ideia de adaptação fácil a novos cenários, sem abandonar, no processo, aquilo que é essencial.
(2) Responsabilidade, qualidade de quem reconhece seu papel e o exerce o mais plenamente possível, procurando obedecer a parâmetros éticos e técnicos na realização de suas atividades.
(3) Parceria, expressão de uma união baseada na solidariedade entre quem se coloca no mesmo patamar, dialogando e aproveitando diferenças para o exercício da complementaridade focada na consecução de objetivos comuns.
(4) Coragem, demonstração de força diante de situações complicadas que, para serem resolvidas, exigem criatividade, persistência, resistência e, acima de tudo, uma reação positiva frente à adversidade.
Tudo, sempre, procurando dar conta de questões relativas ao jornalismo, à publicidade, às relações públicas e ao entretenimento.

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