Algoritmo do YouTube acelera epidemia de desinformação sobre covid-19

Redação Portal IMPRENSA | 21/07/2020 13:42
Um estudo da Universidade de Michigan sugere que vídeos contendo desinformação sobre a pandemia do novo coronavírus são impulsionados por algoritmos do YouTube.

O estudo foi conduzido por Anjana Susarla, professora de sistemas da informação da Universidade de Michigan. Ela explica que os algoritmos do YouTube usam inteligência artificial para, baseados no tipo de conteúdo assistido por cada usuário, sugerir vídeos de forma personalizada. 
Crédito:Reprodução
Anjana Susarla, professora de sistemas da informação da Universidade de Michigan: algoritmo impulsiona desinformação

Como as pessoas assistem em grande escala canais desprovidos de informação de saúde confiável, mais conteúdo semelhante é sugerido. Ademais, o estudo mostrou que vídeos sobre covid-19 com mais engajamento costumam ter maior quantidade de informações incorretas.

O estudo mostrou ainda que os vídeos com maior engajamento costumam apresentar linguagem simplória e informação incorreta. Isso ocorreria pois canais médicos confiáveis costumam usar termos técnicos, o que faz com que sejam menos assistidos e, em decorrência, menos indicados pelo algoritmo do YouTube.

Assim, vídeos populares sobre a pandemia têm menor probabilidade de apresentar informação confiável.   

A pesquisa também salientou que usuários com menor escolaridade são mais suscetíveis ao surto de desinformação sobre a pandemia no YouTube.

Ao ignorar critérios de evidência científica, os algoritmos do YouTube ajudariam a disseminar desinformação e a causar o que vem sendo chamado de desinfodemia, ou pandemia de desinforamção.

Atualmente pelo menos um quarto dos vídeos sobre covid-19 disponíveis no YouTube não são embasados cientificamente

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