Personalidade da Time em 2018, jornalista perseguida por governo Duterte pode ser condenada a décadas na prisão

Redação Portal IMPRENSA | 20/07/2020 15:02

CEO da agência de notícias Rappler, a jornalista filipina Maria Ressa se tornou um símbolo global da defesa da liberdade de imprensa e de expressão. 


Além de ter coberto o sudeste asiático para a CNN por duas décadas, Ressa ganhou notoriedade por reportagens publicadas na Rappler denunciando os assassinatos extrajudiciais promovidos pelo presidente Rodrigo Duterte como parte da política de combate às drogas nas Filipinas.

Em retaliação a seu trabalho, a jornalista está sendo alvo de perseguição judicial do governo Duterte. Escolhida uma das personalidades de 2018 pela revista "Time", Ressa pode ser condenada a décadas na prisão como resultado da perseguição política por seu trabalho.
Crédito: Reprodução
Em defesa da jornalista, da liberdade de imprensa e do Estado de direito para os filipinos, 60 entidades de imprensa, incluindo o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ), o Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, na sigla em inglês) e a Repórteres Sem Fronteira (RSF), anunciaram em 9 de julho a campanha #HoldTheLine (algo como "segure firme").  

A ideia é denunciar as injustiças e abusos que estão sendo cometidos contra a jornalista, usando uma expressão linguística que remete à ideia de resistência. 

Em 15 de junho Ressa foi condenada por "difamação cibernética", num processo que pode lhe custar seis anos na prisão. O jornalista Reynaldo Santos Jr., ex-colega de Ressa na Rappler, também foi condenado neste processo, motivado por uma reportagem sobre corrupção publicada na Rappler em 2012.

A próxima audiência da jornalista Maria Ressa perante a justiça filipina ocorre nesta quarta (22). Quem quiser prestar solidariedade e reforçar a campanha por sua liberdade pode integrar o abaixo-assinado disponível nos sites da CPJ e da RSF com a hashtag #HoldTheLine.