Efeito Trump: ataques à imprensa se espalharam pelo mundo, alerta relator da ONU

Redação Portal IMPRENSA | 14/07/2020 16:35
David Kaye, relator especial da ONU para a liberdade de expressão, disse nesta segunda (13) que, ao atacar sistematicamente a imprensa ao longo do seu mandato, Donald Trump contribuiu para um ambiente hostil contra jornalistas não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.

Para o relator, a retórica anti-imprensa de Trump criou um ambiente propício a ataques a jornalistas, incluindo o assassinato de Jamal Khashoggi por agentes sauditas na Turquia.

“Claramente, a marca principal nos últimos quatro anos tem sido a maneira pela qual esse presidente em particular se dirige à mídia: a maneira como ele difama a mídia e avilta a liberdade de expressão", disse o relator em sua última coletiva antes de terminar seu mandato de 6 anos no fim deste mês.
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Subserviente, Bolsonaro tenta fazer tudo que agrada Trump, inclusive atacar a imprensa
Além dos ataques à imprensa, Kaye afirmou que Trump promove a disseminação de desinformação, muitas vezes em parceira com veículos e jornalistas conservadores. Destacando a China, Kaye também criticou outros governos pela forma como têm atacado a liberdade de expressão. 

A Casa Branca respondeu as críticas do representante da ONU afirmando que a administração Trump "vai continuar a denunciar as mentiras que vê na imprensa".

Ataques sistemáticos
No Brasil a Repórteres sem Fronteiras (RSF) divulgou também nesta segunda mais uma parte de sua série de publicações sobre o cenário nacional da liberdade de imprensa em 2020.

Com foco no segundo trimeste, o trabalho visa expor "as engrenagens que movimentam uma rede de ataques, protagonizada pelo presidente Bolsonaro, que alimenta de forma sistemática a hostilidade e a desconfiança da sociedade contra a imprensa".

"Desde a eleição de Jair Bolsonaro, em outubro de 2018, a imprensa brasileira vem enfrentando um clima cada vez mais hostil para o exercício da profissão. Não foi diferente no segundo trimestre de 2020. Jornalistas voltaram a ser alvo de ataques não só por parte do presidente, mas de toda sua base política: dos seus filhos - que ocupam mandatos legislativos -, seus ministros mais próximos e de apoiadores leais, fortemente mobilizados nas redes sociais", diz a RSF.

A entidade afirma ainda que "os ataques sistemáticos do sistema formado por Bolsonaro e seus seguidores continuaram no segundo trimestre de 2020, quando a RSF registrou pelo menos 21 agressões partindo do próprio presidente na direção de jornalistas e da imprensa em geral, o que representa uma queda em relação ao 1o trimestre, quando foram registrados 32 casos.