“No Tik Tok a linguagem tem que ser descontraída, ágil e moderna”, diz diretora da Record TV sobre estratégia jornalística na plataforma

Redação Portal IMPRENSA | 09/07/2020 14:19
Considerado o primeiro telejornal brasileiro a ter uma versão especialmente pensada para o aplicativo de vídeos Tik Tok, o Jornal da Record estreou na plataforma há cinco meses e já conta com mais de 130 mil seguidores. Bia Cioffi, diretora de planejamento transmídia da Record TV, fala na entrevista a seguir, concedida por email ao Portal IMPRENSA, sobre a estratégia da emissora de levar sua produção jornalística para o Tik Tok e outras redes sociais.
 
Portal IMPRENSA - Quando e por que o jornalismo da Record passou a investir nas redes sociais, incluindo o Tik Tok?
 
Bia Cioffi - O grupo Record foi o primeiro a lançar um jornal multiplataforma, o Jornal da Record News, em 2011. Naquela época, já falávamos em conteúdo exclusivo para o digital como extensão do que era visto na TV. Em outubro do ano passado, a Record TV expandiu o Jornal da Record também para um produto totalmente transmídia. O projeto inclui boletins exibidos ao longo de toda a programação da TV, com transmissão em várias plataformas, atingindo não só o telespectador da TV, mas também o público que está na internet. Além disso, suas plataformas digitais – site, redes sociais – trazem notícias 24 horas por dia, além de produções exclusivas.
Crédito:Antonio Chahestian
O JR tem ‘escalada’ exclusiva no digital, antecipando o que irá ao ar na edição principal do programa, às 19h45, além de atualizações diárias dos stories dos perfis do telejornal no Facebook, Instagram e YouTube, com vídeos de repórteres das 108 emissoras em todo país, valorizando o conteúdo regional. Temos ainda lives semanais e entrevistas para debater o cenário político e econmico do paìs. A ‘Live JR’ já alcançou mais de 4 milhôes de visualizações em uma de suas edições. Também são publicados outros conteúdos exclusivos, como memes no Twitter e um podcast do JR, que pode ser acessado em agregadores de streaming, no PlayPlus e até mesmo na Alexa.
O Tik Tok é mais um formato diferenciado em que apostamos para levar nosso conteúdo a um novo público. Começamos há cinco meses na plataforma, com o desafio de entender a linguagem e entregar notícias neste formato. O JR é o primeiro jornal feito no Tik Tok e hoje já conta com mais 130 mil seguidores (e crescendo!). 
 
Portal IMPRENSA - Qual público o jornal no Tik Tok pretende atingir? Ele se difere do público da TV? 
 
Bia Cioffi - Nosso objetivo é espalhar nosso conteúdo em vários canais.  A ideia é que o público possa acompanhar as notícias do Jornal da Record de onde estiver, da maneira que achar mais conveniente – e com a máxima oferta de formatos possível. A pessoa pode assistir ao Jornal da Record de sua casa, via-TV, esparramado no sofá, ou pode também acompanhar o mesmo conteúdo pelas plataformas digitais, durante o deslocamento para o trabalho. Mas para cada canal desenvolvemos um formato e uma conversa específica – inclusive para que esses materiais se complementem. O TikTok é preferencialmente consumido pela geração Z. Lá a informação é transmitida com movimento, som, humor e leveza. Por isso, contamos com nossos estagiários para nos ajudar na criação do conteúdo, já que eles são nativos desta plataforma.
 
Portal IMPRENSA - Como tem sido o retorno? 
 
Bia Cioffi - Vemos este projeto como vencedor porque atingimos jovens que não estão acostumados a consumir jornalismo nesta plataforma. Temos engajamento, repercussão e um exponencial no crescimento de seguidores. Em um cenário turbulento de fake news, temos o papel cada vez maior de fazer esta curadoria do jornalismo profissional e levá-lo para o maior número possível de pessoas. Um exemplo de que é possível usar informação séria de uma forma leve é o vídeo sobre fake news divulgado na conta, que ensina quando compartilhar ou não uma informação.
 
Portal IMPRENSA - Quais pautas são trabalhadas nesse formato? 
 
Bia Cioffi - No Tik Tok a linguagem tem que ser descontraída, ágil e moderna, mostrando um pouco dos bastidores do jornal. Trazemos notícias como previsão do tempo, compartilhamos medidas para prevenir o coronavírus, dicas rápidas, que são bem-vindas e reforçam um comportamento positivo. Os temas são diversos. O JR no Tik Tok tem um estilo bastante informal, mas vemos que o público ganha intimidade com a marca, se aproxima. Não é possível fazer jornalismo sozinho, é importante trazer o público para perto e construir o conteúdo junto com a audiência.
 
Portal IMPRENSA - Há uma equipe específica? Houve algum tipo de treinamento? 
 
Bia Cioffi - Para toda a construção digital do JR, tivemos que buscar profissionais com habilidades específicas, sim, mas também trouxemos este conhecimento para a equipe que já é de casa. Neste ano, a área em que atuo, planejamento transmídia, fez um movimento grande para trazer os profissionais que sempre atuaram somente em TV para mais perto do dia a dia digital. Foram (e estão sendo) dados cursos, palestras e aulas a esses colaboradores, para que todos os nossos produtos possam já nascer digitais – independentemente de onde comece a sua produção. 
O JR no TikTok é feito, pensado e criado por um time da geração Z, que são os estagiários do jornalismo da Record. Essa soma de perfis e talentos se reflete no conteúdo de qualidade que entregamos.