Repórteres sem Fronteiras lança programa de apoio a oito veículos independentes brasileiros

Redação Portal IMPRENSA | 29/06/2020 11:13
A iniciativa Repórteres sem Fronteiras (RSF) lançou o programa de apoio ao jornalismo independente no Brasil. O objetivo é fortalecer a mídia independente no país e promover a liberdade de imprensa. 

O projeto terá 3 anos de duração e vai contribuir com uma rede de 8 veículos de comunicação espalhados por 3 regiões do país. Os veículos são:

Amazônia Real e Rede Wayuri do Amazonas; Ação Comunitária Caranguejo Uçá e Marco Zero Conteúdo, de Pernambuco; Data_labe e Fala Roça, do Rio de Janeiro;  Alma Preta e Nós, mulheres da periferia, de São Paulo.

Crédito:Divulgação RSF


Segundo o projeto RSF, estes veículos vêm exercendo papel decisivo na mobilização em torno da defesa dos direitos humanos e na divulgação da cultura periférica - tanto na sua diversidade de expressões culturais e artísticas, quanto na produção de conhecimento e representação política. 

No entanto, essas mídias trabalham num cenário de grande insegurança. A polarização do debate político no país tornou seus comunicadores alvos recorrentes de ataques como ameaças, assédio digital e agressões físicas. Além disso, estes grupos têm menor visibilidade e pouco, ou nenhum, suporte institucional em comparação com as grandes redações.

"Na última década, mais de 40 jornalistas foram assassinados no Brasil. O que vemos hoje é um ambiente cada vez mais hostil à prática do jornalismo. Comunicadores são frequentemente ameaçados e assediados por estarem realizando seu trabalho, afetados diretamente por um discurso oficial por parte do governo que estigmatiza a profissão", ressalta Emmanuel Colombié, diretor do escritório para a América Latina da Repórteres sem Fronteiras.

Para combater essa situação de grande vulnerabilidade, a iniciativa vai agir segundo uma lógica de colaboração e apoiará os veículos na elaboração de protocolos de segurança digital e física. Também serão realizadas oficinas sobre desenvolvimento institucional e sustentabilidade financeira, voltadas para o fortalecimento de cada mídia enquanto organização. 

O debate sobre liberdade de expressão será transversal aos 3 anos de projeto, através da realização de rodas de conversas e conferências sobre o tema. O programa prevê ainda intercâmbios entre os grupos participantes e a produção de reportagens em parceria.