Estudantes de jornalismo contam histórias de mulheres na quarentena para falar sobre feminismo

Kassia Nobre | 24/06/2020 10:45
Baseado no livro “Sejamos Todos Feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie, estudantes de jornalismo da PUC-SP criaram o Projeto Alamandas para contar histórias de mulheres paulistas durante a pandemia.  

“Buscamos mulheres de diferentes classes sociais, raciais e econômicas para nos relatar como está sendo o período de quarentena e qual é a sua visão de feminismo”, Camila Barros, uma das alunas que é responsável pelo projeto.

Alamandas aborda questões específicas de gênero que fazem com que mulheres, em escala internacional, sofram consequências mais severas na pandemia. 

A iniciativa tem o objetivo de alcançar as pessoas com visões estigmatizadas do que é o feminismo e, por meio de histórias de vida, gerar empatia e identificação.  

“A gente tem como objetivo deixar o projeto completamente com a cara das entrevistadas. As músicas são escolhas delas, os textos informativos são baseados nos relatos delas, o conteúdo em si é todo criado a partir dessas entrevistas”, complementa. 

A página do projeto no Instagram é @projetoalamandas. 

Crédito:Divulgação Projeto Alamandas
 
Portal IMPRENSA - Como surgiu a ideia do projeto Alamandas?
Camila Barros - O Projeto Alamandas surgiu durante uma aula de Narrativas Transmídia, no curso de Jornalismo da PUC-SP. A orientação era criar um projeto transmídia a partir do livro Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie. 

O livro descomplica e desmistifica o feminismo, citando grandes e pequenas situações machistas sofridas pela autora ou por pessoas próximas.

Com isso em mente, e com a recém-instaurada quarentena, resolvemos contar histórias de mulheres paulistas durante a pandemia. Entendemos que todas as mulheres têm histórias de vida que em algum momento esbarram em obstáculos de opressão de gênero, e que é preciso ouvi-las para não normalizar o absurdo. 

Também consideramos que a pandemia colocaria mais peso nas costas de algumas mulheres. Por isso, decidimos falar sobre essas novas barreiras e perigos através de textos informativos.

Portal IMPRENSA - O projeto consiste em compilar relatos de mulheres paulistas durante a quarentena. Você poderia contar sobre esta experiência? 
Camila Barros - Buscamos mulheres de diferentes classes sociais, raciais e econômicas para nos relatar como está sendo o período de quarentena e qual é a sua visão de feminismo. Surgiram vários pontos diferentes, mas notamos que uma coisa todas tinham em comum: a vaidade e cuidado com o corpo mudou. Com a quarentena, muitas pararam de se depilar, de pintar o cabelo ou fazer a sobrancelha. Isso nos mostrou a força que a sociedade patriarcal tem sobre as mulheres. 

A gente tem como objetivo deixar o projeto completamente com a cara das entrevistadas. As músicas são escolhas delas, os textos informativos são baseados nos relatos delas, as quotes são delas – o conteúdo em si é todo criado a partir dessas entrevistas.

Portal IMPRENSA - Você poderia citar as pessoas do projeto e o público-alvo?
Camila Barros - Somos alunas e alunos do terceiro semestre de jornalismo da PUC-SP. Beatriz Girão (criação de artes e identidade visual; planejamento de posts; idealização conceitual do projeto), Camila Barros (pesquisa e redação dos textos informativos do site e instagram; idealização conceitual do projeto), Laura Ré (criação de artes e desenvolvimento do site; gestão de mídias sociais; idealização conceitual do projeto), Camilo Mota (realização e edição do Podcast Alamandas), Maurício Souza (realização e produção musical do Podcast Alamanda; gestão da conta no Spotify) e Victor Paulino (contato e realização da maioria das entrevistas do projeto; idealização conceitual do projeto).

E queremos alcançar principalmente as pessoas que reconhecem que a questão das mulheres é importante, mas que ainda têm visões estigmatizadas do que é o feminismo, mas como são histórias de vida que podem gerar empatia e identificação em vários níveis, achamos que todos os públicos são bem-vindos.