Portal Elas no Congresso cria ranking de atuação dos políticos em relação aos direitos das mulheres

Kassia Nobre | 17/06/2020 12:01
Azmina acaba de criar o portal “Elas no Congresso” para monitorar a atuação parlamentar no Congresso Nacional em relação aos direitos das mulheres. 

Por meio de um ranking de deputados e senadores, o site mostra quais políticos e partidos têm atuado de maneira positiva e negativa para as mulheres. 

A gerente do projeto, a jornalista Bárbara Libório, explica que é possível agrupar o ranking por gênero, partido, região e estado. Além disso, há uma página para cada deputado ou senador para acompanhar os projetos criados em 2019 sobre o tema gênero e direitos das mulheres. 

“Este grande ranking foi criado de acordo com uma avaliação qualitativa dos trabalhos dos parlamentares. Então, quinze organizações que já trabalham com os direitos das mulheres avaliaram 331 projetos que foram criados em 2019 sobre o tema de gênero e direitos das mulheres. Elas avaliaram se esses projetos eram favoráveis ou desfavoráveis e se eram muito relevantes ou pouco relevantes”.

Assim, de acordo com estes critérios, cada projeto de lei (PL) e cada parlamentar receberam uma pontuação.

“E essa pontuação a gente adaptou para uma escala que vai de +100 a -100 e cada parlamentar recebeu a sua nota nesta escala. Só receberam a nota 0 aqueles parlamentares que realmente não criaram nenhum projeto sobre gênero”, complementa Bárbara. 

O portal disponibiliza o ranking com todos os dados abertos, inclusive para download, com a metodologia explicada.
 
“O Elas no Congresso também apresenta conteúdos. Por exemplo, a gente conseguiu avaliar como os partidos se posicionaram, não só os parlamentares. Conseguimos analisar por temas. Por exemplo, os projetos de lei sobre a Lei Maria da Penha que dispararam nas últimas legislaturas. Os projetos sobre a participação feminina. A gente trouxe alguns conteúdos na estreia e a gente vai publicar novos conteúdos no site e na nossa newsletter que começa esta semana”. 

Crédito:Divulgação Elas no Congresso


Participação feminina 
O Elas no Congresso já mostrou que parlamentares mulheres ocupam o topo do ranking na Câmara e no Senado. “A Sâmia Bomfim na Câmara e a Rose de Freitas no Senado, mas a gente vê que precisa de mulheres comprometidas com a bandeira dos direitos das mulheres porque na Câmara, por exemplo, a última posicionada é também uma mulher, que é a Chris Tonietto do PSL, que apresentou vários projetos para criminalizar o aborto ano passado e acabou ficando mal colocada”.

Outro aspecto interessante, segundo a jornalista, é a posição dos parlamentares dentro do próprio partido. 

“Por exemplo, no Senado, a Rose de Freitas, que é do Podemos, é a primeira colocada, mas o último colocado é do mesmo partido, que é o Eduardo Girão, que também apresentou vários projetos contra o aborto. Então dentro dos próprios partidos, você consegue ver posições que parecem conflitantes. Existem pessoas que estão comprometidas com os direitos das mulheres e pessoas comprometidas com o retrocesso”.

Auxiliar jornalistas
A gerente do projeto afirma que o site “Elas no Congresso”  e o ranking vêm para complementar o monitoramento que Azmina já fazia com o bot @Elas no Congresso no Twitter, que publica e monitora a tramitação ligada a questões de gênero em tempo real no Congresso Nacional. O perfil foi lançado em março deste ano.

“O Elas no Congresso é uma grande plataforma de monitoramento. Quais são os principais temas que estão sendo tratados, aqueles que são negligenciados? O que os parlamentares que estão bem ou mal ranqueados tem a dizer? A gente construiu ferramentas que podem ajudar a imprensa especializada em gênero e a imprensa que quer cobrir estes temas”.