Bolsonaristas acusam Thais Oyama de desejar morte do ministro Weintraub

Sinval de Itacarambi Leão, editor Portal Imprensa | 17/06/2020 07:44

No programa Três em Um, da Jovem Pan, dia 15 de junho, uma frase de Thais Oyama está sendo interpretada por defensores do ministro da educação Abraham Weintraub como um vitupério.  Neste gênero de programa, a atenção dos ouvintes é disputada pela temperatura do debate. As pautas do programa são sempre quentes e nesse dia, o que era noticia em Brasília, era a multa que Weintraub tinha recebido por não ter usado máscara protetora em manifestação pública e o vazamento para a imprensa de eminente exoneração do ministro.


O programa é protagonizado por Rodrigo Constantino direto dos EUA, Thais Oyama e Josias de Souza sediados em São Paulo. Rodrigo Constantino defendia a permanência do ministro e Thais, com sua conhecida experiência em pautas ligadas à educação, arrazoava pela saída de Weintraub. A certa altura, numa réplica acalorada a Constantino, Thais proferiu um “Deus o tenha, em breve” aludindo ao alijamento do ministro na pasta da educação. A frase tinha sim um velado desejo de urgência para que tudo se resolvesse em benefício da educação no Brasil.


Crédito: Reprodução

Procurada pelo portal, Thais olimpicamente negou a interpretação ao pé da letra, feita pelo irmão de Weintraub que também trabalha na presidência e de seus seguidores. Não estava desejando nem ou agourando a morte do ministro . Chama a atenção, contudo, que se de um lado a expressão tem uma leitura fúnebre e é usada em condolências, por outro, diz ela, o ministro desconhece “entre tantas outras coisas” o significado de “sentido figurado” na linguagem falada. O contexto do debate era totalmente negativo para o ministro, tanto na fala de Constantino que se presta no papel de advogado de Weintraub, como na de Josias, fazendo as vezes de moderador.

 

 Jóia da coroa


O desejo pela saída ”em breve” do ministro da educação, manifestado por Thais Oyama, encaixa-se perfeitamente na interpretação do que ela pensa e sabe fazer. Trata-se de uma jornalista que trabalhou como repórter e editora, por anos, com pauta educação e cultura. No jogo de correlação de forças, no caso do ministro, ela tem condições de avaliar  o núcleo duro militar do governo e a curadoria ideológica do presidente Bolsonaro. Tem consciência do peso estratégico e estruturante que a educação representa  para o Brasil. Thais no Três em Um falava, portanto, com conhecimento de causa. Sua frase, fora do contexto, foi usada literalmente como cortina de fumaça para vitimar o ministro Weintraub. 


O “martírio simbólico” com que os bolsonaristas querem adornar a provável exoneração, explorando a frase de Thais Oyama, caiu dos céus para sua resistência à defenestração do cargo do ministro. Que hajam outros Três em Um. As mortes “figuradas” que o rádio tanto sabe produzir, mesmo quando faz jornalismo, serve como arma tática para quem quer e precisa manter-se vivo no noticiário.


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