Bolsonaro quer que PF e PGR investiguem Noblat por compartilhar charge

Redação Portal IMPRENSA | 15/06/2020 17:43
O compartilhamento de um charge feita pelo cartunista Aroeira levou o governo Bolsonaro a solicitar à Policia Federal e à Procuradoria-Geral da República que investiguem o jornalista Ricardo Noblat, colunista da revista Veja.

O procedimento foi solicitado com base na Lei de Segurança Nacional,  criada na ditadura militar e usada para perseguir políticos contrários ao regime. 
Crédito:Reprodução Brasil 247
Na charge que irritou o governo, o presidente transforma uma cruz vermelha em suástica, símbolo do nazismo. Bolsonaro aparece ao lado da pintura segurando uma lata de tinta e um pincel, e perguntando: "bora invandir outro?". 

Em postagem feita na tarde desta segunda (15) e reproduzida pelo presidente, o ministro da Justiça, André Mendonça, informa ter solicitado à PF e à PGR abertura de inquérito para investigar a publicação reproduzida por Noblat.

Mais cedo, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República acusou Noblat de estar cometendo crime de falsa imputação.

“Falsa imputação de crime é crime. O senhor Ricardo Noblat e o chargista estão imputando ao presidente da República o gravíssimo crime de nazismo; a não ser que provem sua acusação, o que é impossível, incorrem em falsa imputação de crime e responderão por esse crime”, diz mensagem publicada pela Secom.

Ricardo Noblat disse que a Lei de Segurança Nacional não existe "para impedir a livre manifestação de pensamento". "Por sinal, ela é uma excrescência que não foi removida mesmo com a redemocratização”, afirmou Noblat.

No governo Bolsonaro o número de investigações abertas para apurar supostas violações da Lei de Segurança Nacional bateu recorde, atingindo 28 inquéritos em 2019.