Movimento antirracismo estimula debate sobre ausência de negros nas redações

Redação Portal IMPRENSA | 12/06/2020 18:57
A onda global de protestos antirracismo desencadeada pelo assassinato de George Floyd, nos EUA, segue repercutindo na imprensa brasileira.

No domingo (7), o jornal O GLOBO publicou, em conjunto com visões de nove jornalistas e colunistas negros da casa sobre racismo na profissão, uma ampla reflexão sobre o tema, informando que o número de jornalistas negros no jornal não chega a 10% do total, "muito distante da atual proporção de pretos e pardos no país".

Crédito:Reprodução
Os profissionais negros do Globo que compartilharam suas experiências e análises no projeto foram  Cíntia Cruz, Marcello Corrêa, Camilla Pontes, Gilberto Porcidonio, Flávia Oliveira, Flávia Barbosa, Ana Paula Lisboa, Ana Carolina Diniz e Luana Génot.

Nove dias antes, na quarta (3), a GloboNews atendeu à reclamação de telespectadores que criticaram a ausência de negros na edição do dia anterior do programa Em Pauta e escalou um time de jornalistas negros para uma edição especial da atração.

O apresentador titular, Marcelo Cosme, começou se desculpando pela imagem de seis brancos discutindo racismo na edição anterior do programa, que viralizou nas redes.

Cosme então passou o comando da atração para Heraldo Pereira, titular do Jornal das 10 e o primeiro negro a ter ocupado a bancada do Jornal Nacional. Além de Heraldo, seis comunicadoras negras comentaram os assuntos do dia, especialmente o racismo e os protestos antirracistas em várias partes do mundo.

Nesta terça (9), a jornalista Vera Magalhães usou o Twitter para informar que conversou com o consultor de estratégias de diversidade e influencer Adilson dos Santos Junior, que chamou o programa Roda Viva, apresentado por ela, de "Roda Branca", em referência à suposta ausência de negros na bancada.

"Não concordo com a designação e o procurei para fazermos um debate franco sobre o assunto", disse Vera, acrescentando que passou a ser adepta da "corrente de pensamento dos que entendem que não basta não ser racista".

"A gente precisa ser ativo para banir o racismo do mundo. O jornalismo ainda é uma área em que há poucos colegas negros e negras em posições de destaque", postou Vera, que também pediu no Twitter indicações de "jornalistas negros que estão por aí, nas redações, no YouTube, nos blogs, na TV, no rádio".

"Me ajudem a deixar a Roda mais viva, plural, colorida, com saberes múltiplos e caras novas."

Feliz com o resultado da conversa, o consultor Adilson dos Santos Junior descreveu o episódio como "uma incrível troca de experiências". "Eu creio que o Roda Viva será ainda mais incrível, com muito mais representatividade, graças à postura de uma pessoa que desejou ouvir nossas inquietações”.

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