Plataforma Fakebook.eco checa mitos e mal-entendidos sobre o meio ambiente no Brasil

Kassia Nobre | 10/06/2020 10:12
A plataforma Fakebook.eco reúne o conhecimento sobre os principais mitos e mal-entendidos que rondam o debate ambiental no Brasil.

O site funciona como um repositório onde mitos comuns (as “Falácias frequentes”) são desfeitos sobre clima, florestas, regulação e uso da terra.  Além disso, são realizadas verificações rápidas (“Verificamos”) de declarações de autoridades ou fake news sobre o meio ambiente. 
  
O jornalista Claudio Angelo, criador do projeto, explica como surgiu a ideia do Fakebook.  “Surgiu de uma evolução natural de uma coisa que a gente vinha fazendo no Observatório do Clima desde 2018, o chamado "agromitômetro". Eram checagens de discursos da bancada ruralista sobre temas como licenciamento ambiental e agrotóxicos, que vinham carregados de desinformação. Só que com a eleição do Bolsonaro isso explodiu. Chegamos ao absurdo de ter que desmentir o ministro do Meio Ambiente (várias vezes). E concluímos que isso precisaria virar uma coisa sistemática. Em setembro, resolvemos juntar com o Greenpeace e o ClimaInfo algumas das mentiras mais frequentes do Ricardo Salles. O que era para ser uma tabelinha de Excel virou um documento de 35 páginas, que batizamos de Fakebook. Daí veio o nome da plataforma”. 

Crédito:Divulgação Fakebook


Claudio afirma ainda que o Fakebook não é uma organização jornalística e nem uma agência de checagem, mas alia o método jornalístico de verificação de fatos com referências científicas disponíveis. 

“Ideias estapafúrdias vão desde afirmações de que o Brasil tem 66% do seu território protegido até a noção de que há muita terra para pouco índio. Nada disso resiste ao mínimo escrutínio”.

O jornalista acredita que o interesse do jornalismo pelo meio ambiente precisa ser perene. “Em defesa de Bolsonaro, registre-se que ele elevou o perfil do tema nas redações, porque nenhum outro presidente antes dele era ativamente contrário à agenda e nenhum outro ministro antes do atual trabalhou para extinguir na prática a própria pasta. Então meio ambiente virou notícia e todo mundo começou a se interessar e a se horrorizar com o desmonte”. O problema é que esse interesse das redações é espasmódico e precisa ser perene. Então acho que o Fakebook ajuda a engrossar esse caldo”.

O site tem parceria com os portais de notícias ambientais e científicas  Oeco, InfoAmazônia, Direto da Ciência, Projeto Colabora, e com o blog O que você faria se soubesse o que eu sei?, do climatologista Alexandre Araújo Costa.

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