Omissão de dados e maquiagem dos números da pandemia são gravíssimas, diz Maia

Redação Portal IMPRENSA | 08/06/2020 18:40
As estratégias adotadas pelo governo Bolsonaro para maquiar os números de infectados e de vítimas fatais do novo coronavírus no Brasil estão sendo classificadas como gravíssimas por políticos e entidades representativas da imprensa e de defesa da liberdade da expressão.

Em entrevista na tarde desta segunda (8) à CNN, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que conversou com o ministro-chefe da secretaria de governo, Luiz Eduardo Ramos, pedindo a volta da divulgação dos dados sobre as vítimas da doença no Brasil. 
Crédito:Reprodução
Segundo reportagem do Estadão, Bolsonaro exigiu que número diário de mortos por pandemia fique abaixo de mil

Maia criticou a supressão das informações e ressaltou a insegurança de um país que precisa discutir "omissão de dados".

Durante o fim de semana, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) lembrou que  estratégia do governo de maquiar os números sobre a pandemia pode "acarretar em medidas equivocadas, por parte dos governos e da população, com o consequente aumento do número de infectados e de mortos".

"Ao colocar os próprios governos estaduais, os técnicos da saúde e o Jornalismo profissional como adversários, Bolsonaro e seus prepostos que ocupam o Ministério da Saúde dão a entender que não interessa ao governo o real combate à pandemia", completa o texto.

Por sua vez, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) lembrou que "as medidas contrariam a Constituição Federal, a Lei de Acesso à Informação, as boas práticas de transparência pública reconhecidas internacionalmente e evidenciam, mais uma vez, o espírito antidemocrático do governo de Jair Bolsonaro". 

"A Abraji repudia o abuso de autoridade por parte do alto escalão do governo federal e condena tentativa de impor obstáculos às atividades jornalísticas através da ocultação de informações de interesse público. Também apela aos demais poderes da República para que fiscalizem e punam eventuais atos de improbidade administrativa com o máximo rigor da lei."