Após apagão de informações do governo federal, veículos se unem para informar dados sobre a pandemia de coronavírus

Redação Portal IMPRENSA | 08/06/2020 11:49
Os veículos O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e UOL decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações sobre a pandemia de Covid-19 nos 26 estados e no Distrito Federal.

A iniciativa é inédita e foi uma resposta à decisão do governo Bolsonaro de restringir os dados sobre o coronavírus. Desta forma, as equipes vão compartilhar informações sobre o total de óbitos provocados pela covid, além dos números consolidados de casos testados e com resultado positivo. 

Os veículos vão coletar os números nas secretarias estaduais de saúde e cada órgão de imprensa vai divulgar o resultado desse acompanhamento em seus canais. 

O grupo vai chamar a atenção do público se não houver transparência e regularidade na divulgação dos dados pelos estados.

"Numa sociedade organizada como brasileira, é praticamente impossível omitir ou alterar dados tão essenciais quanto ao impacto de uma pandemia. Com essa iniciativa conjunta de levantamento de dados com os estados, deixamos claro que a imprensa não usa esses leitores sem saber a saber. extensão da Covid-19 “, afirmou Sérgio Dávila, diretor de Redação da Folha.

“É nossa responsabilidade cotidiana transmitir informações úteis para a sociedade. Agora, nenhum momento mais agudo da pandemia, deve garantir a população ou acessar dados corretos ou o mais rápido possível, custear ou custar ”, disse Murilo Garavello, diretor de Conteúdo do UOL.

“É triste ter que produzir esse levantamento para substituir uma omissão das autoridades federais. Transparência e honestidade devem ser valores inabaláveis na gestão dessa pandemia. Vamos continuar cumprindo nossa missão, que é informar a sociedade”, afirmou João Caminoto, diretor de Jornalismo do Grupo Estado.

"O jornalismo tem uma missão de levar a população os números mais precisos sobre uma pandemia. É fundamental conhecer uma extensão real de fatos. Esses dados são decisivos para quem é saibam como agir naquele momento tão difícil", destacou Humberto Tziolas, diretor de redação do Extra.

“Neste momento crucial, deixamos nossa concorrência de lado por um bem comum: levar a sociedade ou o dado mais preciso possível sobre uma pandemia. Essas informações orientam como pessoas e como políticas públicas. Sem elas, o país mergulha em um voo cego. O jornalismo cumprirá seu papel ”, afirmou Alan Gripp, diretor de redação de O Globo.

"Uma missão de jornalismo é informar. Em caso de disputa natural entre veículos, ou momento de pandemia, é necessário um esforço para que os brasileiros usem o número mais correto de infectados e perigos", afirmou Ali Kamel, diretor geral de Jornalismo da Globo (TV Globo, GloboNews e G1). “Face à postura do Ministério da Saúde, uma união dos veículos de imprensa que tem esse objetivo: dar aos brasileiros um número fiel”.

Crédito:Divulgação Ministério da Saúde


Apagão de informações 
O Ministério da Saúde realizou mudanças na publicação de seu balanço da pandemia nos últimos dias.

Na quinta-feira (04), o portal com o número de mortos e contaminados foi retirado do ar. Quando retornou, depois de mais de 19 horas, passou a apresentar apenas informações sobre os casos “novos”, ou seja, registrados no próprio dia. Desapareceram os números consolidados e o histórico de doença desde seu início.

Entre os itens que deixaram de ser publicados estão: curva de casos novos por dados de notificação e por semana epidemiológica; casos acumulados por dados de notificação e por semana epidemiológica; mortes por dados de notificação e por semana epidemiológica; e óbitos acumulados por dados de notificação e por semana epidemiológica. 

Neste domingo (7), o governo anunciou que voltaria a informar seus balanços sobre a doença. Entretanto, segundo os principais veículos de imprensa, o governo mostrou números conflitantes, divulgados sem intervalo de poucas horas.

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