No dia do meio ambiente, jornalistas relatam dificuldades na cobertura da Amazônia em tempos de pandemia

Kassia Nobre | 05/06/2020 14:13
Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) realizou o webinar “Os desafios de cobrir a Amazônia em tempos de pandemia”. A iniciativa teve o apoio do Amazon Rainforest Journalism Fund (RJF).
 
O seminário teve a participação de Elaíze Farias, cofundadora da agência de jornalismo independente Amazônia Real; Mara Régia, radialista e apresentadora do programa Natureza Viva, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC); e Camilo Jiménez Santofimio, integrante do comitê de seleção de projetos do Amazon RJF. A moderação foi feita por Katia Brembatti, diretora da Abraji e repórter da Gazeta do Povo.

Crédito:Reprodução Zoom



Dificuldades na cobertura
Os jornalistas relataram as dificuldades na cobertura de temas relacionados à Amazônia durante a pandemia da covid-19. “Eu trabalho na Amazônia desde a década de 90 e pela primeira vez estamos longe das ruas. A logística da cobertura é desafiadora, com dificuldade de apuração das informações e o contato com as comunidades indígenas mais afastadas”, afirmou Mara Régia. 

Já Elaíze chamou a atenção para a falta de transparência das informações vindas da Funai e do governo Federal, além da dificuldade de acesso aos povos indígenas.
 
“Há uma dificuldade de acesso à informação pública. Há falta de transparência, boletins desatualizados e mal feitos. Os jornalistas podem se atrapalhar. Assim, as fontes acabam sendo os próprios indígenas, mas a gente não pode ir às áreas indígenas por questão de segurança. Procuramos contornar as limitações de outras maneiras. Solicito fotos, áudios e vídeos isso quando a internet deles funciona. A cobertura é difícil, dura e de muitas emoções. São só noticias ruins e isso afeta a saúde mental dos jornalistas”, explicou. 

Camilo expôs a situação da Amazônia colombiana. “Há um crescimento exponencial de casos de covid nas cidades da Amazônia colombiana. Além disso, há crises econômicas e sociais, o que faz muita gente lutar pela sobrevivência de vias informais que muitas vezes são ilegais, como o desmatamento.”

Elaíze conta também que, além das dificuldades expostas pela pandemia, os jornalistas da região precisam se proteger de ataques à liberdade de imprensa. 

"Hoje, a Amazônia Real e outras entidades da região assinaram o documento 'Onde se planta jornalismo, floresce a democracia' porque o momento é, justamente, de fortalecimento e reação contra os ataques à democracia e à imprensa".  

Para saber mais sobre a iniciativa Onde se planta jornalismo, floresce a democracia, acesse aqui

Oportunidade de cobrir a Amazônia
O Amazon RJF aproveitou a discussão para fazer a chamada para o mais recente edital, que recebe inscrições de propostas  até 20 de junho. Os jornalistas interessados na cobertura da pandemia, conflitos de terra, desmatamento e outras questões críticas na Amazônia podem concorrer a bolsas para projetos digitais e colaborativos. 
 O RJF, projeto gerenciado pelo Pulitzer Center, trabalha para apoiar jornalistas que cobrem questões sobre as florestas tropicais. Um dos módulos, o Amazon, é direcionado para profissionais que acompanham a Amazônia no Brasil e na América do Sul.

Mais detalhes sobre o edital aqui