Gazeta do Povo é tirada da lista de veículos distribuidores de notícias falsas pela CPMI

Redação Portal Imprensa | 05/06/2020 12:34

Os próprios consultores legislativos que assinaram o relatório da CPMI, e que incluiram a Gazeta do Povo entre os 39 sites distribuidores de notícias falsa, Cristiano Aguiar Lopes e Daniel Chamorro Petersen, assinaram ontem à noite (4/6) nota afirmando que a inclusão era “equivocada” e retratando-se oficialmente sobre o ocorrido. 


A CPMI das Fake News foi instalada em agosto de 2019, na Câmara dos Deputados por partidos que acusavam o governo de produzir e veicular noticiário falso e o discurso do ódio, nas eleições de 2018, através de despachos em massa nas redes sociais. A relatora da comissão é a Deputada Lídice da Mata (PSB-BA). Polêmica, essa CPMI foi palco de tumultos como o bate-boca de Alexandre Frota e Joyce Hasselman, ex-defensores do Presidente Bolsonaro, com a oposição. Ou, o depoimento misógino de Hans River Nascimento, acusando Patrícia Campos Mello de oportunismo para obter informações comprometedoras contra a empresa digital onde ele trabalhara.  

Crédito: Jonathan Campos/ Arquivo Gazeta do Povo


A inclusão da Gazeta do Povo no relatório tem origem no direcionamento de verbas publicitárias da SECOM- Secretaria de Comunicação do Governo Federal em veículos suspeitos, através do Google Ads, ferramenta que via algoritmos insere anúncios automaticamente em sites e veículos de comunicação. Segundo os consultores legislativos, foi feita consulta às empresas checadoras de notícias. Citou 6: Lupa, Aos fatos, E-Farsas, Boatos. Org, Comprova e Estadão Verifica. Todas negaram a consulta. 


A Gazeta do Povo, jornal centenário de Curitiba e de propriedade da RPC – Rede Paranaense de Comunicação é conhecida e premiada nacionalmente por sua ética e compromisso com o jornalismo independente e plural. Com relação à sua receita, recebeu em 2019, R$ 902,00 e,  até abril de 2020, cerca de R$ 400,00 das veiculações da SECOM, valores insignificantes frente aos obtidos com assinaturas e publicidade do setor privado.


A defesa da Gazeta do Povo, feita pelo trade jornalístico, foi unânime. A ANJ- Associação Nacional dos Jornais, através de seu presidente Marcelo Rech, adjetivou de  “lamentável” esse tipo de inclusão. 


O presidente da ABRAJI, Marcelo Träsel, foi categórico: “Esperamos que o caso sirva de alerta para os congressistas que pretendem aprovar a toque de caixa, em meio a uma crise sanitária e econômica leis sobre o tema, sem discussão ampla e tranquila com os jornalistas e com a sociedade”.  


Sergio Moro considerou se tratar de um “grande erro” contra o jornal, respeitado em todo o Estado do Paraná e lembra de “matérias históricas sobre corrupção” editadas pelo jornal. 

A bancada federal de senadores e deputados fizeram também uma defesa incisiva da Gazeta do Povo.



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