Documentário traz os bastidores da “rede social” que funciona por meio das ondas do rádio

Histórias de TCC

| 04/06/2020 06:37

Partindo do programa Ponto de Encontro, transmitido pela Rádio Nacional da Amazônia, quatro estudantes desenvolveram um documentário sobre o rádio e seu uso enquanto meio de transmissão de recados em regiões afastadas dos grandes centros urbanos do Brasil, e a formação de relações interpessoais entre os ouvintes. 


“O propósito deste produto é discutir a importância do rádio no cotidiano dessas pessoas, dentro do contexto social em que vivem e, ainda, observar em que medida o programa se assemelha com as redes sociais contemporâneas comuns às plataformas digitais online”, destaca a equipe de TCC formada por Guilherme Guidetti, do curso de Jornalismo, Jamile Nonato, Mateus Lemos e Rafael Costa, do curso de Rádio, TV e Internet, que se graduaram pela Fapcom - Faculdade Paulus de Comunicação, em junho de 2017.


Crédito:Divulgação


O trabalho contou com a orientação do Prof. Dr. Elinaldo Meira, da Fapcom. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Rafael Costa compartilha sua História de TCC. 


Sobre o trabalho


Nossa proposta foi produzir um documentário sobre a relação dos ouvintes do programa “Ponto de Encontro”, da Rádio Nacional da Amazônia, com os apresentadores e entre si. O programa existe há mais de trinta anos e tem como principal objetivo receber e transmitir recados enviados entre os ouvintes, tendo em vista que a região Norte do Brasil ainda possui muitos pontos onde há limites para as pessoas se comunicarem.

 

Esse uso do programa para o envio de mensagens começou pelos garimpos naquela região e a busca de familiares das diferentes regiões do país por informações de quem viajou para ganhar a vida naqueles locais. E essa troca de mensagens via rádio até hoje funciona, criando um tipo de “rede social” por meio das ondas do rádio. Para entender mais sobre o programa e conhecer os ouvintes, viajamos até Brasília, Pau dos Ferros, no Rio Grande do Norte, e São Félix do Xingu, no Pará.


Principais desafios ao longo da produção


Um dos principais desafios foi, sem dúvida, o deslocamento até os locais de gravação das entrevistas. Na viagem para a capital federal, percorremos cerca de dois mil quilômetros de carro, para visitar a sede da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), e conversar com a equipe de produção do programa e a apresentadora Sula Sevillis, que começou o programa em meados dos anos 80. Na viagem ao Rio Grande do Norte, além de um percurso de avião, viajamos cerca de cinco horas de carro até chegarmos a Pau dos Ferros e lá conhecemos mais uma de nossas fontes, Osvaldo Dias, o popular “Gambiarra”.


Nossa última e mais longa viagem foi até São Félix do Xingu, no Pará. Quase quinze horas de viagem para chegar, em percurso realizado de avião, com conexão em Minas Gerais, e mais oito horas de viagem de carro, em estradas com condições muito ruins. Mesmo com tantos desafios nos caminhos, fomos presenteados com muito carinho e receptividade pelos nossos entrevistados.

Os aprendizados


Para nós quatro que realizamos este trabalho, os aprendizados foram muitos. A começar por conhecer melhor o “Brasil de fora”, ou seja, os costumes, clima e pessoas que vivem além do eixo sudeste de nosso país. Conhecer o modo de vida de uma pessoa que às vezes não tem luz elétrica, internet, água encanada e utiliza o rádio como principal meio de comunicação foi para nós uma experiência muito importante e transformadora. Também nos fez ter a certeza de que a escolha por este documentário foi a certa, pois por meio dele possibilitamos que mais pessoas possam conhecer esse Brasil distante, mas tão rico de experiências e boas vibrações.


Crédito:Arquivo Pessoal

Significado dessa experiência


Realizar este trabalho nos trouxe a certeza de que escolhemos a profissão certa. Contar histórias, trazer ao conhecimento de outras pessoas algo que nem sabiam que existia, foi uma experiência muito inspiradora e digna de orgulho. Saímos da faculdade diferentes de como entramos, com a certeza de que o trabalho que realizamos é importante para a sociedade, e isso não tem preço.


Contribuições que o trabalho trouxe 


As principais contribuições são internas, acredito, no modo de como vemos a vida. Hoje em dia não conseguimos ficar nem alguns minutos sem internet ou longe de nossos smartphones. Sair da nossa zona de conforto, viajar milhares de quilômetros sem acesso à internet em muitos pontos, em locais que não conhecemos e buscando entender mais sobre o modo de vida do próximo, foi sensacional. Além de passar bons momentos com os amigos integrantes do grupo, pois tudo o que vivemos juntos nos tornou ainda mais fortes e unidos. Também tivemos a oportunidade de participar do Intercom Sudeste, em 2018, na categoria Documentário. Chegamos à fase final e apresentamos nosso trabalho em Belo Horizonte. Mesmo não trazendo o prêmio principal para casa, ficou a certeza de 

um trabalho bem feito e lembrado até hoje por nossos mestres.


Conselhos para quem está fazendo o TCC 


Um bom conselho é: acredite sempre! Não desista da sua busca de fazer sempre o melhor possível, e procure um tema que te faça ver a vida de uma nova forma. Se fizer o trabalho em grupo, busque sempre entender o que cada um deseja e espera do resultado final, e façam de suas reuniões momentos de alinhar os objetivos e buscar soluções para os desafios. Quanto mais unidos os integrantes, melhor será o resultado final. Aventurem-se! A graduação é um ótimo momento para experimentar novas formas de se fazer produtos.


A experiência, durante o período de produção do documentário Ponto de Encontro, foi compartilhada pela equipe de TCC no Facebook


 


                                      


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