Silvio Santos é acusado de censurar telejornal SBT Brasil para agradar Bolsonaro

Redação Portal IMPRENSA | 25/05/2020 10:57
Para não irritar o presidente Jair Bolsonaro, Silvio Santos teria vetado a edição de sábado (23) do telejornal SBT Brasil. 

O problema teria ocorrido após críticas de Fábio Wajngarten, chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal, ao deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), que é marido de uma das filhas de Silvio Santos, Patrícia Abravanel.

Wajngarten teria reclamado a Faria da linha editorial do SBT Brasil em sua cobertura do vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro. 
Crédito:Reprodução

Ao ficar sabendo da crítica, Silvio Santos teria ordenado que o vídeo, liberado à imprensa a pedido da defesa do ex-ministro Sergio Moro, deixasse de ser mencionado na edição de sábado do SBT Brasil. A direção do telejornal teria argumentado que isso seria estranho, pois o tema havia sido amplamente abordado na edição da noite anterior.  

Silvio Santos então teria ordenado que o telejornal fosse vetado na íntegra. Isso acabou ocorrendo. Em seu lugar foi exibida uma reprise do programa "Triturando". 

Pelo Twitter, contudo, o deputado Fábio Faria negou que o sogro tenha vetado o telejornal por conta de reportagem sobre a reunião ministerial.

“Mentira, mentira, mentira. Jamais houve reclamação do governo sobre a divulgação do famoso vídeo no SBT. O governo comemorou o vídeo. Jamais o Silvio aceitaria qualquer tipo de interferência.”

Reações
A Federação Nacional dos Jornalistas divulgou nesta segunda (25) nota afirmando que a "censura no SBT é violação grave do direito à comunicação".

"Apesar de ser um grupo privado, o SBT opera um canal de televisão que é uma concessão pública e, portanto, está sujeito ao cumprimento de obrigações legais muito claras", acrescenta a nota.

Repórter de política do Correio Braziliense e ex-produtor do SBT Brasil, o jornalista Renato Souza foi na mesma linha, lamentando que "a censura" tennha chegado a "este nível" na emissora de Silvio Santos. 

"A emissora é privada, mas a concessão é pública e seu uso deve respeitar o povo, não se render a interesses políticos. Minha solidariedade aos jornalistas do SBT."