Empresas sofrem ataques após retirarem anúncios de site que propaga fake news

Redação Portal IMPRENSA | 21/05/2020 11:37
Empresas que aderiram ao alerta do movimento Sleeping Giants sobre publicidade em páginas que ajudam a propagar a desinformação estão sofrendo ataques de apoiadores da extrema-direita. 

Crédito:Reprodução
É o caso da Dell, uma das primeiras a barrar anúncio no site Jornal da Cidade Online, que tem se dedicado a atacar governadores que apoiam as medidas de isolamento social para conter a pandemia de coronavírus. A página já foi classificada como uma “rede articulada de desinformação” pela agência de checagem Aos Fatos.

Nesta quarta-feira (20/05), a empresa foi alvo campanhas de ódio nas redes sociais. A tag #NaoCompreDell chegou aos assuntos mais comentados do Twitter.

Além da Dell, Banco do Brasil, Dell, O Boticário, Submarino, Domestika e History Channel e Telecine aderiram ao movimento. 

Filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro também atacou o movimento, após o Banco do Brasil anunciar a retirada do anúncio do site. 

“Marketing do @BancodoBrasil pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas. Não falarei nada pois dirão que estou atrapalhando... agora é você ligar os pontinhos mais uma vez e eu apanhar de novo, com muito orgulho. Obs: não conheço ninguém do Jornal da Cidade Online”, escreveu no Twitter.  

O chefe da Secretaria Especial de Comunicação do governo federal (Secom), Fabio Wajngarten, também saiu em defesa do site. “Os jornais independentes são muito importantes e devem ser valorizados no exercício da liberdade de expressão. O @slpng_giants_pt precisa urgentemente deixar o viés ideológico de lado na hora de fazer suas supostas denúncias. Dormiram no ponto e acabaram mostrando a quem servem”, disse.

Inspirada em modelo dos EUA, versão brasileira da conta Sleeping Giants alerta companhias sobre publicidade em páginas que ajudam a propagar a desinformação. Banco do Brasil, Dell, O Boticário, Submarino e Telecine aderiram ao movimento. 

"Visamos impedir que sites preconceituosos ou de fake news monetizem através da publicidade. Muitas empresas não sabem que isso acontece, é hora de informá-las”, diz a descrição do perfil, que foi lançado na segunda-feira e já tem mais de 99 mil seguidores.