"Aqui não toca jabá", diz o jornalista Colibri sobre a premiada programação musical da Rádio Brasil Atual

Redação Portal IMPRENSA | 13/05/2020 15:38
Diretor geral da Rádio Brasil Atual, Oswaldo Luiz "Colibri" Vitta se tornou um dos jornalistas culturais mais respeitados entre músicos, compositores e artistas da cena paulistana.

Apresentador do programa Na Hora do Rango, que ganhou o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) na categoria rádio em 2018, Colibri é reconhecido por seu trabalho de divulgação da diversidade musical brasileira, abrindo os estúdios da Brasil Atual para apresentações ao vivo de músicos, compositores e cantores de "todas as tribos".

"Aqui não tem jabá. Tocamos músicas que as outras emissoras não tocam e damos notícias que elas não dão", gosta de repetir Colibri, que tem 46 anos de jornalismo e já  trabalhou nos principais jornais brasileiros: Diários, Folha de São Paulo, Estado e O Globo. Também passou por SBT, Record, Bandeirantes e Globo. 

Com a pandemia, Colibri teve que deixar o Na Hora do Rango momentaneamente de lado para apresentar de sua casa o programa Colibri na Quarentena, no qual mantém a proposta de entrevistar artistas brasileiros e transmitir suas performances ao vivo.
Crédito:Reprodução
Colibri (à direita) entrevista Danilo Santos de Miranda sobre restrições nas verbas culturais do SESC

Com orientação musical eclética, que vai do sertanejo raiz ao rap, da MPB ao choro, os programas culturais apresentados por Colibri também são transmitidos na TVT, onde alcançam 1,0 de média e 1,5 de pico de audiência (Na Grande São Paulo, 1 ponto equivale a 70,5 mil domicílios e 688,2 mil indivíduos). Na comparação com a audiência de emissoras comerciais os números são pequenos, mas representativos em se tratando de divulgação cultural independente.

A Fundação Comunicação Cultura e Trabalho (que engloba TVT , Radio Brasil Atual e Portal Rede Brasil Atual) tem como gestores o Sindicato dos Bancários de São Paulo e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

A Brasil Atual opera com concessão de emissora educativa e não pode comercializar espaço publicitário. Suas origens remontam à experiência da Rádio dos Bancários, que foi ao ar de 92 a 94, em horário alugado na rádio Gazeta AM São Paulo.

Em síntese, a ideia é praticar um "radiojornalismo alternativo, engajado na luta dos movimentos sociais e dos direitos humanos e comprometido na defesa dos trabalhadores". 

Além do prêmio concedido pela APCA, a Rádio Brasil Atual venceu por duas vezes o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. 

Suspenso pela pandemia, o projeto de gravar o programa Na Hora do Rango com auditório aberto ao público é atualmente uma das grandes paixões de Colibri, que ele pretende retomar assim que as orientações de distanciamento social permitirem.

Uma das edições mais marcantes desse projeto ocorreu em junho de 2019, quando o Na Hora do Rango foi transmitido com participação do público a partir do SESC Paulista. Na ocasião, o programa apresentou o projeto Samba do Trabalhador, idealizado pelo sambista Moacyr Luz, que tem mais de 300 músicas gravadas, cerca de 100 delas em parceria com o letrista Aldir Blanc.

"Converso sempre com os músicos e muitos estão desanimados com a crise atual. Mas o momento é de união, resistência, luta. As pessoas precisam se reinventar, e as lives estão aí mostrando isso. Na rádio também estamos buscando novos caminhos, pois o sindicalismo foi muito atacado nos últimos anos", diz o jornalista, acrescentando que a Brasil Atual tem parceiros de conteúdo como Observatório do Terceiro Setor, Justificando e Brasil de Fato. 

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