Ataques à imprensa avançam na Europa, aponta relatório

Redação Portal IMPRENSA | 29/04/2020 12:42
Os ataques à liberdade de imprensa são o "novo normal" na Europa, alerta a edição 2020 do relatório anual do Conselho da Plataforma Europeia para a Proteção de Jornalistas.

Lançado nesta terça (29), o documento foi elaborado com a colaboração de 14 organizações de jornalistas e grupos internacionais de liberdade de imprensa.   

Além de analisar as principais ameaças ao trabalho de jornalistas na Europa em 2019, o relatório aponta que a pandemia do novo coronavírus aumentou os ataques contra a imprensa.

De acordo com o relatório, o crescente assédio aos jornalistas ocorreu principalmente na Rússia, Turquia, Bósnia e Azerbaijão.   

Em 2019, o documento aponta que ocorreram 142 ameaças à liberdade de imprensa, incluindo 33 ataques físicos contra jornalistas, 17 casos de detenção e 43 episódios de assédio e intimidação. 

Dentre os ataques físicos houve dois assassinatos de jornalistas: Lyra McKee, na Irlanda do Norte, e Vadym Komarov, na Ucrânia. 

O relatório também destacou que os assassinos da jornalista Daphne Caruana Galizia (morta em Malta, em 2017) e de Martin O’Hagan (morto em 2001, na Irlanda do Norte) permanecem impunes. 

Ainda de acordo com o documento, apenas a Eslováquia exibiu "progresso concreto" na luta conta esse tipo de impunidade, indiciando os acusados de serem os mandantes do assassinato do jornalista Ján Kuciak e de sua noiva, Martina Kušnírová.

Somente no final de 2019, a plataforma registrou 105 casos de jornalistas presos na região do Conselho Europeu. Desse total, 91 prisões ocorreram na Turquia. O relatório aponta que a situação não melhorou para os jornalistas turcos em 2020. O país excluiu a categoria de uma soltura em massa de detentos realizada em abril.

O segundo país que mais prende jornalistas na região do Conselho Europeu é o Azerbaijão. A prática teria sido intensificada pelas autoridades locais em função de reportagens sobre a ineficácia de políticas públicas no combate à covid-19. 

Em 2019 também houve "claro aumento" no assédio administrativo e judicial contra jornalistas que atuam na Europa. Como exemplo, o relatório cita o caso da falsa acusação de  tráfico de droga contra o jornalista russo Ivan Golunov e a prisão de jornalistas na Crimeia.