Ataques feitos por Bolsonaro fazem Brasil cair 2 posições no ranking de liberdade de imprensa

Redação Portal IMPRENSA | 22/04/2020 10:10
As ameaças, os discursos de ódio e o desprezo contra jornalistas dispensados pelo presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores fizeram o Brasil cair duas posições no ranking anual de liberdade de imprensa da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF).

O Brasil passou a ocupar a posição 107 na lista de 180 países analisados. Essa é a segunda queda consecutiva: devido ao clima anti-imprensa das eleições de 2018 e ao assassinato de quatro jornalistas, no ano passado, o país caiu três posição no ranking. 

Crédito:RSF
O relatório de 2020 ainda não leva em conta o impacto da epidemia de coronavírus sobre a prática jornalística.

“O presidente Bolsonaro, seus parentes e vários membros do governo insultam e difamam alguns dos mais importantes profissionais e meios de comunicação do país, promovendo um clima de ódio e desconfiança do jornalismo no Brasil”, aponta o relatório. 

A RSF ressalta ainda a concentração da mídia no Brasil, que pertence a um pequeno grupo de grandes famílias, com frequência, próximas da classe política.

Segundo o relatório, o sigilo das fontes é com frequência questionado e muitos jornalistas investigativos são alvo de processos judiciais abusivos.

Na sétima posição, a Costa Rica é o país mais bem colocado na América Latina. O Brasil segue atrás ainda de Uruguai (19), Chile (51), Argentina (64) e do Equador (98), mas à frente da Bolívia (114) e Colômbia (130).

Noruega (1) e Finlândia (2) ocupam, pelo segundo ano seguido, as primeiras colocações. Na lanterninha estão Coreia do Norte (180) e Turcomenistão (179).

“A crise sanitária é uma oportunidade para governos autoritários aproveitarem a fraca mobilização do público para impor medidas que não seriam possíveis de serem adotadas normalmente”, diz Christophe Deloire, secretário-geral da Repórteres sem Fronteiras.

Este é o caso da China, que ocupa a classificação 177 e do Irã, na 173 (três a menos do que em 2019). “Esses dois países adotaram durante a pandemia dispositivos de censura em massa”, denuncia Deloire. 

Dos 180 países, apenas 8% têm boa liberdade de imprensa. Mais de 60%, incluindo o Brasil, estão em situação que a entidade considera “problemática” ou “muito difícil”. Outros 12,9% caem na pior categoria, chamada de “muito séria”.


Leia também:
RSF analisa as estratégias de Bolsonaro para silenciar a imprensa