Jornalista do Estadão é chamada de “chata de galocha” em coletiva de Bolsonaro sobre coronavírus

Redação Portal IMPRENSA | 18/03/2020 22:16
A coletiva de Jair Bolsonaro e seus ministros desta quarta (18), sobre as ações do governo de combate ao coronavírus, foi marcada por um vazamento de áudio desrespeitoso a uma jornalista que cobria o evento. 

Quando o cerimonial anunciou que a repórter Jussara Soares, do jornal Estado de S. Paulo, faria a próxima pergunta, foi possível ouvir alguém dizendo: “Jussara... Essa é uma chata de galocha, mas é boazinha”.

Pela gravação, não dá para identificar qual dos ministros ofendeu a jornalista. Mas Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, cochichava com Bolsonaro na hora do vazamento. Todos usavam máscara, o que dificulta a identificação.

Procurada, a assessoria de Mandetta disse que a gesticulação corporal não condiz com a fala atribuída a ele. 

As suspeitas também recaem sobre Paulo Guedes, que havia acabado de falar, e sobre Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Secretaria de Governo.

Aniversário do golpe

Além de Jussara, a jornalista Vera Magalhães, colunista do Estadão e apresentadora do Roda Viva, da TV Cultura, foi alvo de crítica de Bolsonaro durante a coletiva.

“A jornalista Vera Magalhães, de forma mentirosa, está divulgando que eu faria um movimento no dia 31 em frente aos quartéis”, disse.

Vera divulgou a informação, na terça-feira (17), de que apoiadores de Bolsonaro estão convocando, via WhatsApp, um protesto para o aniversário do golpe militar, em 31 de março.

Bolsonaro também criticou a imprensa por divulgar sua participação nos atos  de 15 de março, quando saiu do isolamento em que se encontrava para cumprimentar os manifestantes em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília.

“Vimos críticas (da imprensa) em cima deste evento (de domingo), como se fosse o único a ocorrer e como se tivesse sido convocado por mim", disse.

"O povo decidiu espontaneamente aparecer (...). Foram menos de um milhão de pessoas (nas ruas em todo o país). É menos do que acontece em São Paulo no transporte coletivo", minimizou o presidente.