Editoria de política é a que mais menciona o termo fake news

Leandro Haberli | 17/03/2020 13:41
Cada vez mais popular, o uso da expressão fake news teve um aumento de 96% entre 2017 e 2020 na imprensa brasileira. Levantamento feito pela Knewin, empresa de tecnologia que usa inteligência artificial para transformar indústrias, revela que o auge aconteceu durante as eleições presidenciais de 2018. 
Crédito: Divulgação


Com uma média anual de 2.600 matérias em 2017, a citação do termo fake news passou para 21 mil por mês, devido às eleições presidenciais. Em 2019, a média continuou alta, com mais de 19 mil notícias por mês. 

Em 2020, a tendência continua em alta. Foram 21.590 menções em janeiro, contra 14 mil no  mesmo mês no ano passado. 

A editoria de Política foi uma das que mais mencionou o termo durante os três anos analisados.

Para analisar o resultado, O Portal IMPRENSA ouviu Isabella Boechat, gerente de marketing da Knewin e responsável pelo levantamento.

Quais foram os meios analisados no levantamento – impresso, sites, rádio?

A partir da palavra-chave fake news foi feita uma análise da quantidade de notícias que mencionam esse termo nos anos 2017, 2018, 2019 e 2020, para comprovar uma hipótese de aumento da expressão. Para esse levantamento, levamos em consideração veículos da imprensa brasileira – impresso, online, TV /ou rádio.

Em qual o contexto o termo é usado nas matérias?

Com a análise, percebemos que a maioria das matérias mapeadas têm a disseminação de fake news como tema central. Em dezembro de 2017, por exemplo, as mais de 8 mil menções tiveram como principais tópicos o Wikileaks, a eleição presidencial nos EUA, a ligação do Facebook às fake news, e o papel do jornalismo no combate às notícias falsas.

Em outubro de 2018, o pico da análise com 75 mil menções, teve eleição presidencial no Brasil, a disseminação de fake news nas redes sociais (incluindo WhatsApp), e notícias falsas sobre o Enem 2018 como principais temas relacionados ao assunto.

Em abril de 2019, tivemos ambas as reformas nacionais (trabalhista e da previdência), a CPI das fake news, e o TSE no combate às fake news como pontos focais.

Em todos os meses mencionados acima, a editoria de Política é a que aparece mais frequentemente. Também aparecem editorias como Brasil, Mundo e Economia.

Na sua opinião, esse crescimento aconteceu porque cresceu a disseminação de notícias falsas ou por que a mídia passou a se interessar mais sobre o tema?

Vimos um começo de aumento significativo das menções após as eleições presidenciais estadunidenses, em 2017, com a campanha de Trump sendo acusada de disseminação de notícias falsas. Desde então, vimos que a tendência das menções ao tema é crescer mês a mês, sugerindo que o problema ainda sucede.

Mais dados comparativos abaixo:
2012: 242 notícias
2013: 1.304 notícias
2014: 454 notícias
2015: 987 notícias
2016: 1.768 notícias
2017: 32.156 notícias
2018: 253.393 notícias
2019: 235.744 notícias
2020: 61.092 notícias (até 6/3)

O pico do termo fake news ocorreu em outubro de 2018, nas eleições presidenciais. É possível destacar quais as principais notícias sobre o assunto?

O pico do termo fake news ocorreu em outubro de 2018, nas eleições presidenciais: foram 76.063 notícias só neste mês. Através da nossa ferramenta é possível ter um alcance estimado das notícias, com base na relevância dos veículos. Mas são muitas para poder destacar 3 ou 4 principais notícias. O que se pode destacar é que o principal assunto foi a campanha eleitoral, sem dúvida, com notícias girando em torno de críticas à campanha de Bolsonaro pelo uso de fake news, notícias falsas de fraude em urnas, impacto das fake news criadas pela deputada Joice Hasselmann, etc. 

Os principais assuntos de outubro foram:
- campanhas eleitorais
- fake news sobre fraudes nas urnas
- repercussão sobre uso de fake news nas campanhas (todas as campanhas)
- discussão no TSE sobre como combater fake news
- notícias no geral sobre reflexões das fake news
- fake news no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 
- crimes eleitorais