Artigo de opinião publicado em 2019 leva Trump a processar New York Times

Redação Portal IMPRENSA | 27/02/2020 10:25
A coluna de opinião de Max Frankel, publicada no New York Times em 27 de março de 2019 sob o título "A verdadeira quid pro quo de Trump com a Rússia" (referindo-se à expressão em latim que significa contrapartida) levou a equipe de campanha de Donald Trump a processar nesta quarta (26) o jornal por difamação.

A coluna de Frankel, que foi diretor executivo do New York Times entre 1986 e 1994, menciona um acordo entre o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o então candidato republicano durante as eleições presidenciais americanas de 2016.

Em seu artigo, Frankel escreveu que "não havia necessidade de conluio eleitoral detalhado entre a equipe de campanha de Trump e a oligarquia de Vladimir Putin porque eles tinham um acordo global: a ajuda foi concedida na campanha contra Hillary Clinton pela quid pro quo de uma nova política externa pró-Rússia".
Campanha de Trump processa jornal por difamação, alegando que informações publicadas em coluna de opinião eram falsas

Apesar de um longo histórico de muitas ameaças feitas, esta é a primeira vez que Trump processa um veículo de imprensa desde que assumiu a Casa Branca. 

Em documento apresentado a um tribunal de Nova York, a organização "Donald J. Trump for President" pede indenização por danos na casa dos milhões de dólares. 

À agência AFP, um porta-voz do New York Times disse que a "equipe de Trump foi à justiça para punir um colunista por ter uma opinião que eles consideram inaceitável".

Ainda de acordo com o porta-voz, "felizmente a lei protege o direito dos americanos de expressar julgamentos e conclusões, principalmente quando se trata de fatos importantes para a opinião pública".

Segundo a equipe de campanha Trump, quando publicou esses comentários o "New York Times sabia muito bem que eles não eram verdadeiros". O advogado da campanha de Trump, Charles Harder, sustenta que o jornal publicou as informações de "qualquer maneira, sabendo que elas eram falsas e que enganariam seus próprios leitores".

O assunto já entrou na campanha presidencial. O senador e pré-candidato democrata à presidência Bernie Sanders aproveitou o episódio para criticar Trump por atacar a liberdade de imprensa "após ter chamado a imprensa de 'inimiga do povo'".

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