Entidades civis de diferentes posicionamentos e mais de 1800 mulheres jornalistas se solidarizam a Patricia Campos Mello

Redação Portal IMPRENSA | 12/02/2020 16:40
Se de um lado as mídias sociais e grupos de WhatsApp são inundados por gifs, memes e todo tipo de mensagem de teor sexista atacando a jornalista Patricia Campos Mello, de outro personalidades e entidades de diferentes posicionamentos aderiram a uma onda de mensagens em solidariedade à repórter da Folha de São Paulo. 

Liderado por entidades como Fenaj, Abraji e CIDH, o movimento de repúdio aos ataques à jornalista teve ampla adesão da esquerda e de personagens mais à direita no espectro político, como Rodrigo Maia (que tuitou lembrando que dar falso testemunho em comissão do Congresso é crime), PSDB e MBL. 
Crédito: Reprodução/Conectas
Entidades civis que integram o Pacto Pela Democracia aderiram a movimento em solidariedade a Patricia Campos Mello

Além disso, mais de 1800 jornalistas mulheres, de diferentes veículos e cidades do país, assinaram nesta quarta (12) um manifesto em solidariedade a Patricia.

Entre os nomes mais conhecidos, destaque para os de Andréia Sadi, Barbara Gancia, Carla Jimenez, Consuelo Dieguez, Daniela Lima, Julia Duailibi, Malu Gaspar, Miriam Leitão, Monica Bergamo e Monica Waldvogel.

Patricia se tornou novamente alvo de ataques digitais de apoiadores do governo Bolsonaro após depoimento suspeito à CPMI das Fake News dado nesta terça (11) por Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da agência de disparos de mensagens em massa Yacows.

O depoente sugeriu à CPMI das Fake News que a jornalista estava disposta a fazer sexo com ele em troca de informações para a reportagem.

De acordo com o texto do abaixo-assinado (leia a íntegra abaixo), Nascimento não apresentou "qualquer prova ou mesmo evidência" das acusações que fez contra a repórter "de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações".

"É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como Whatsapp para disseminar fake news.

Veja abaixo a íntegra do manifesto em solidariedade a Patricia Campos Mello.

Nós, jornalistas abaixo assinadas, repudiamos os ataques sórdidos e mentirosos proferidos em depoimento à CPMI das Fake News por Hans River, ex-funcionário da empresa Yacows, especializada em disparos em massa de mensagens de Whatsapp, à jornalista da Folha de S.Paulo Patricia Campos Mello.

Sem apresentar qualquer prova ou mesmo evidência, o depoente acusou a repórter, uma das mais sérias e premiadas do Brasil, de se valer de tentativas de seduzi-lo para obter informações e forjar publicações.

É inaceitável que essas mentiras ganhem espaço em uma Comissão Parlamentar de Inquérito que tem justamente como escopo investigar o uso das redes sociais e dos serviços de mensagens como Whatsapp para disseminar fake news.

Nós, jornalistas e mulheres de diferentes veículos, repudiamos com veemência este ataque que não é só a Patricia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar e informar.  Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista.