“A decisão me protege, mas é uma grave violação à liberdade de imprensa”, diz Greenwald

Redação Portal IMPRENSA | 07/02/2020 09:47
O jornalista Glenn Greenwald, fundador do site The Intercept Brasil, não ficou satisfeito com a decisão da Justiça Federal que rejeitou a denúncia apresentada contra ele por suposta ligação com hackers que invadiram os celulares de diversas autoridades, entre elas o ministro da Justiça, Sérgio Moro.
Crédito:Marcos Oliveira/Agência Senado
 

“A decisão me protege individualmente, mas é uma grave violação à liberdade de imprensa e pode criar um precedente para que outros jornalistas sejam criminalizados no futuro”, disse Greenwald em entrevista ao jornalista Leonardo Sakamoto, do portal UOL. 

Na decisão de quinta-feira (07/02), o juiz Ricardo Augusto Leite, substituto da 10ª Vara Federal do DF, afirma que deixa de receber “por ora” a denúncia contra o jornalista e cita a liminar dada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede que os órgãos de investigação responsabilizem Greenwald pela “recepção, obtenção ou transmissão de informações publicadas em veículos de mídia”.

Porém, ele deixa claro em sua decisão que o seu comportamento “possui relevância no campo jurídico” e que pode ser interpretado, por analogia, como “supressão de documento” ou “frustração da persecução penal”. 

Segundo o juiz, os diálogos entre Greenwald e o hacker Luiz Henrique Molição mostram que o jornalista o instigou a apagar as mensagens que os dois trocaram.  “Entendo que há clara tentativa (de Greenwald) de obstar o trabalho de apuração do ilícito, não sendo possível utilizar a prerrogativa de sigilo da fonte para criar uma excludente de ilicitude”, disse o juiz.

Greenwald disse que vai ao STF pedir uma decisão que deixe claro que a denúncia é contrária à decisão anterior do próprio Supremo, mas é também um ataque à liberdade de expressão, e ter uma vitória por essa imprensa livre.

"Para meus interesses, a decisão é boa, mas meus interesses não são minha luta. Eu conseguiria proteger meus interesses de forma muito fácil. Poderia ir ao aeroporto e sair do país. Mas nunca faria isso, porque minha luta não é para me proteger, mas para defender a liberdade de imprensa", disse Greenwald ao Uol. 

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