Reportagens da FSP serviram de base para inquérito da PF sobre suspeitas na Secom

Redação Portal IMPRENSA | 05/02/2020 11:13
O inquérito aberto pela Polícia Federal nesta terça (4), para investigar suspeitas sobre Fabio Wajngarten, chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), atende a pedido do MPF (Ministério Público Federal) feito a partir de representações com base em reportagens do jornal Folha de São Paulo. 

O inquérito visa apurar suspeitas de corrupção passiva, desvio de recursos por agente público e patrocínio de interesses privados na administração pública.

Reportagens da Folha publicadas a partir de 15 de janeiro revelaram que Wajngarten é sócio da FW Comunicação, empresa que recebe dinheiro de emissoras de TV (incluindo Record e Band) e de agências contratadas por ministérios e por empresas estatais.
Crédito:Reprodução Veja/Marcos Corrêa
Fabio Wajngarten disse que inquérito é oportunidade para provar ausência de irregularidades

Ainda de acordo com as reportagens da Folha, ao assumir o cargo, o secretário omitiu informações sobre as atividades da FW e os negócios mantidos por ela.

Outro lado

Em nota divulgada nesta terça, Wajngarten disse que a abertura do inquérito será "a oportunidade que terei para provar que não cometi qualquer irregularidade na minha gestão à frente da Secom desde abril do ano passado”.

O secretário afirmou que se afastou da empresa e que os contratos são anteriores à sua nomeação para o cargo.

O secretário também é alvo de processo no TCU (Tribunal de Contas da União) por suposto direcionamento político de verbas de propaganda para TVs consideradas próximas do governo, principalmente Record, SBT e Band.

Se comprovada, tal prática afronta o princípio da impessoalidade na administração pública, além de configurar ato de improbidade administrativa. Entre as penalidades previstas está a demissão do agente público.

A seguir, veja a nota de Wajngarten sobre o inquérito da PF

A abertura de inquérito pela Polícia Federal é mais um passo na rotina do processo de investigação solicitado pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal em 28 de janeiro passado.
 
Será a oportunidade que terei para provar que não cometi qualquer irregularidade na minha gestão à frente da Secretaria Especial de Comunicação da Presidência da República (Secom) desde abril do ano passado. 
 
Como será comprovado, não há qualquer relação entre a liberação de verbas publicitárias do governo e os contratos da empresa FW Comunicação  – da qual me afastei conforme a legislação determina – que são anteriores à minha nomeação para o cargo, como pode ser atestado em cartório.
Tenho um nome a zelar, um trabalho de mais de 20 anos no mercado, o seu respeito e reconhecimento.
 
Confio no trabalho da Polícia Federal e na decisão do Ministério Público Federal do Distrito Federal.