Relatório da FENAJ aponta a institucionalização da violência contra a imprensa como prática de governo em 2019

Redação Portal IMPRENSA | 16/01/2020 15:19
Segundo o Relatório Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil, divulgado hoje (16) pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), a liberdade de imprensa no Brasil foi significativamente afetada pela ascensão de Jair Bolsonaro à presidência da República. Em 2019, o número de casos de ataques a veículos de comunicação e a jornalistas chegou a 208, um aumento de 54,07% em relação ao ano anterior, quando foram registradas 135 ocorrências.
Crédito:Reprodução / Relatório FENAJ


Em um ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro, sozinho, foi o responsável por 121 casos (58,17% do total) de ataques a veículos de comunicação e a jornalistas. Foram 114 casos de tentativa de descredibilização da imprensa, e sete agressões diretas a um profissional (cinco agressões verbais, uma ameaça e uma intimidação). A maioria dos ataques foi feita em divulgações oficiais da Presidência da República (discursos e entrevistas do presidente, transcritos no site do Palácio do Planalto) ou no Twitter oficial de Bolsonaro.

A presidenta da FENAJ Maria José Braga ressalta, no relatório, que a liberdade de imprensa no país está ameaçada devido à postura do presidente da República. “O chefe de governo promove, por meio de suas declarações, sistemática descredibilização da imprensa e dos jornalistas. Com isso, institucionaliza a violência contra a imprensa e seus profissionais como prática de governo”. 

Ela destaca também as medidas que têm sido tomadas pelo governo, visando o enfraquecimento financeiro das empresas de comunicação e da organização dos jornalistas. Dentre as quais, a Medida Provisória 905/2019, que extingue a obrigatoriedade do registro profissional para atuar na profissão de jornalista. Em novembro de 2019, a presidenta da FENAJ ressaltou que “com essa MP o presidente Bolsonaro confirma suas ações deliberadas para atacar o jornalismo profissional”. 

Os jornalistas brasileiros, segundo o relatório, também foram vítimas de outras violências. Houve dois assassinatos, 28 casos de ameaças/intimidações, 20 agressões verbais, 15 agressões físicas, dez casos de censura e outros de impedimentos ao exercício profissional, cinco ocorrências de cerceamento à liberdade de imprensa por ações judiciais, dois casos de injúria racial e outros dois de violência contra a organização sindical da categoria.
Crédito:Reprodução / Relatório FENAJ

O relatório ressalta que, “além do número geral de casos de violência contra jornalistas e ataques à liberdade de imprensa ter crescido em 2019, também cresceu o número de assassinatos, a violência extrema contra a categoria”. E lembra dos casos dos jornalistas Robson Giorno e Romário da Silva Barros, ambos com atuação em Maricá (RJ), que foram assassinados, além do assassinato do radialista Claudemir Nunes, que atuava numa rádio comunitária em Santa Cruz de Capiberibe (PE). 

O Sudeste mantém-se como a região brasileira em que mais ocorreram casos de violência direta contra jornalistas, repetindo tendência registrada nos últimos seis anos. Em 2019, foram registradas 44 ocorrências na região, representando 46,81% do total de 94 agressões. E a região Centro-Oeste passou à condição de segunda mais violenta para o exercício da profissão. O maior número de agressões foi no Distrito Federal, que também passou ao posto de segundo estado mais violento, ultrapassando o Rio de Janeiro, que vinha mantendo a posição nos últimos anos.

Considerando a violência por tipo de mídia, dos jornalistas que foram vítimas de agressões diretas, em 2019, 35 (28,23% do total) trabalham em televisão. Os profissionais de jornal ocuparam a segunda posição. Foram 33 casos de violência, representando 26,61% do total.
Crédito:Reprodução / Relatório FENAJ

Com relação aos agressores, os políticos foram os principais autores de ataques a veículos de comunicação e jornalistas, sendo responsáveis por 144 ocorrências (69,23% do total), a maioria delas tentativas de descredibilização da imprensa (114), mas também 30 casos de agressões diretas aos profissionais.

Leia também