SJSP e Fenaj repudiam prisão de fotógrafo durante manifestação

Redação Portal IMPRENSA | 09/01/2020 12:50
Nesta quarta-feira (8), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram uma nota conjunta de repúdio à prisão do repórter-fotográfico Rodrigo Zaim. 

A prisão aconteceu nesta terça-feira (7), na cidade de São Paulo, durante o primeiro ato contra o novo aumento da tarifa de transporte público, que foi organizado pelo MPL (Movimento Passe Livre). Ao todo, 32 pessoas foram detidas “para averiguação” na estação de metrô Trianon-Masp.
Crédito:Rodrigo Zaim

Para o SJSP e a Fenaj, a prisão de Rodrigo Zaim, que cobria a manifestação e identificou-se como jornalista, é um ato que atenta contra a liberdade de imprensa e a democracia. “Infelizmente, o que vemos mais uma vez é a truculência da Polícia Militar no trato dos movimentos sociais e com a imprensa. Nossas entidades lutam permanentemente para coibir a violência e garantir o exercício profissional”, declarou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e vice-presidente da Fenaj, Paulo Zocchi.

As pessoas detidas, inclusive o repórter-fotógrafico, estavam do lado oposto ao tumulto causado quando homens do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) entraram na estação de metrô para dispersar os manifestantes que se abrigaram ali para fugir da chuva. “Os policiais enquadraram todos os que estavam do lado oposto da estação, sendo que não dava mais para se retirar, porque as saídas estavam fechadas", explicou Zaim ao Conjur.

O repórter ainda relata, em depoimento à Ponte Jornalismo, que “estava do outro lado da confusão, esperando o metrô para voltar para casa, quando os PMs chegaram e nos mandaram sentar. Eu sentei, me perguntaram se eu era jornalista, eu disse que era, me pediram o número da minha credencial e eu falei que não sabia de cabeça. Então me trouxeram para cá [a delegacia]”. Na delegacia, Zaim foi liberado sem assinar nenhum documento. Ele foi fichado junto aos demais presos dentro do ônibus que os levou até a delegacia.

Em nota, a Ponte Jornalismo afirma que tanto os manifestantes quanto os jornalistas que cobriam o ato foram agredidos. “A tropa deu golpes de cassetete em cerca de 10 repórteres e fotógrafos, empurrando-os para fora da estação. O fotojornalista Daniel Arroyo, da Ponte, levou ao menos um golpe de cassetete no braço”, destaca a nota. 

O SJSP orienta aos jornalistas que, em caso de violência, registrem Boletim de Ocorrência em uma delegacia da Polícia Civil próxima ao local da agressão. O registro é fundamental para possibilitar a responsabilização dos autores, documentar a agressão contra o trabalho da imprensa e dar mais elementos para cobrar dos órgãos competentes a garantia do direito ao trabalho dos profissionais de imprensa.

Leia também