PF inocenta Greenwald em inquérito sobre hackers e novos vazamentos são divulgados

Redação Portal IMPRENSA | 20/12/2019 11:49
Dois dias após a divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre a investigação da invasão das contas de Telegram do então juiz Sergio Moro e de procuradores da Lava Jato (no qual não é imputado nenhum crime ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do Intercept), novas reportagens com base nos arquivos vazados foram divulgadas nesta sexta, 20, pelos jornais Folha de São Paulo e El País. 

No caso da Folha, texto do jornalista Ricardo Balthazar argumenta, sem citar nomes, que as mensagens vazadas da Lava Jato indicam favorecimento a jornalistas aliados da Força-tarefa. 

Nas palavras de Balthazar, os nomes dos jornalistas não foram revelados "porque sua divulgação representaria uma violação do sigilo assegurado pela Constituição às relações entre jornalistas e suas fontes de informação, essencial para o exercício da profissão e para garantir a todos os cidadãos o direito de acesso à informação".
Crédito:Reprodução (Rafael Lopes/Poder360)

Segundo o texto da Folha, os diálogos mostram diversas situações em que procuradores ajudaram repórteres de sua confiança a chegar na frente dos rivais. 

"A princípio, não há nada de errado nisso", admite Balthazar. "No contexto da Lava Jato, no entanto, muitas vezes os procuradores colocaram em xeque o compromisso assumido com a transparência de suas ações ao agir dessa maneira e usaram seus contatos na imprensa para garantir que a visão do Ministério Público prevalecesse na cobertura do caso." 

Já a reportagem do El País com base em novas mensagens vazadas revela um acordo da Lava Jato para blindar o banco Safra de punições por negociar com o doleiro Alberto Youssef. Para isso, a Força-tarefa teria arquivado em outubro inquérito que investigava conduta suspeita do banco em empréstimo a doleiro. Procuradores, contudo, dizem que acordo é de interesse público