“O humor é a arma mais poderosa para criticar e para tornar leves assuntos áridos”, diz o jornalista Octavio Guedes, um dos autores do livro “Essa República vale uma nota”

Kassia Nobre | 04/12/2019 08:41
Um colunista de jornal conta histórias reais da política brasileira desde Marechal Deodoro até os dias de hoje. Esse é o enredo do livro “Essa República vale uma nota” (Máquina de livros) do jornalista Octavio Guedes e do economista Daniel Sousa.  

Octavio é comentarista de política da Globonews e da Rede Globo e Daniel Sousa é comentarista da Globonews.

A obra revela fatos, muitas vezes desprezados pelo ensino acadêmico, narrados em pequenas notas, redigidas por um sagaz e maldoso colunista de jornal. Ele conta com a ajuda de uma vidente. 

“Assim que a gente começou a produzir as notas, surgiu a ideia da coluna e logo depois surgiu a ideia de um colunista e logo depois surgiu a ideia de uma vidente que iria antecipar fatos da República e que seria considerada uma louca. Na verdade, a obra não parte do personagem. O personagem é fruto e consequência da obra”, relata Octavio.

O autor revela ainda que o colunista é um personagem anônimo, mas representa a junção de vários colunistas.   

“Não demos nome para esse colunista porque na verdade ele é a fusão de vários colunistas, tanto que a gente rouba vários bordões de colunistas que há décadas contam o ‘nhem nhem  nhem’ da política em notas curtas, em pílulas”.

Crédito:Divulgação Máquina de Livros


O tom de humor 
Os autores usam o humor para produzir um conteúdo crítico e irreverente sobre a história do Brasil. Para o jornalista, o formato de coluna permite isso. 

“O humor é a arma mais poderosa que tem para criticar, para chamar a atenção e para tornar leves assuntos áridos. O formato de coluna de jornal permite isso porque qualquer outro formato iria parecer um livro didático. Esse não era o objetivo. O objetivo era fazer algo leve, rápido, bem-humorado e crítico”. 

Octavio destaca a passagem do texto que ele mais gosta: “A parte que eu mais gosto é que o colunista quando vai ficando velho, vai confundindo personagens e nomes. Ele chama Collor de Jânio Quadros e Bolsonaro de Floriano. Ele começa a ver uma República que vai se repetindo. Ele não consegue distinguir a Lava Jato do Tenentismo, por exemplo. Acha movimentos parecidos. Ou seja, um movimento feitos por jovens da classe média que querem passar o país a limpo e que combatem a velha política. Seria o trecho em que o colunista fica gagá”, relata. 
   
O livro conta ainda com o prefácio da jornalista Maria Beltrão, apresentadora do programa “Estúdio I”, da Globonews. 

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