Empresário preso sugere envolvimento de primeiro-ministro em morte de jornalista

Redação Portal IMPRENSA | 29/11/2019 09:56
A investigação do assassinato da jornalista Daphne Caruana Galizia, em 2017, está avançando para a alta cúpula do governo de Malta. Os advogados do empresário Yorgen Fenech, que foi preso na semana passada, enviaram, ontem, uma carta de perdão ao presidente George Vella, em troca de informações relacionadas ao ex-chefe de gabinete do governo Keith Schembri; o ex-ministro do Turismo Konrad Mizzi; o ministro de Assuntos Econômicos, Chris Cardona, e outras pessoas “próximas” ao primeiro-ministro, Joseph Muscat.

Keith Schembri, ex-chefe de gabinete do primeiro-ministro, foi preso nesta terça-feira. Adrian Vela, médico pessoal do empresário, também foi detido. 

Os advogados de Fenech disseram que o primeiro-ministro não deveria se envolver na decisão do perdão, porque ele estava entre “pessoas que podem ter interesse em que esse perdão não fosse concedido”.  Eles também pediram a remoção do investigador chefe Keith Arnaud, alegando que ele era próximo de Schembri.

Caruana Galizia, que investigava a corrupção nas altas esferas da política e dos negócios em Malta, foi assassinada aos 53 anos com uma bomba colocada em seu carro, em outubro de 2017. Ela liderou a investigação aos Panama Papers e esteve na origem de acusações de corrupção que provocaram eleições antecipadas no país em junho de 2017.

Crédito:Times of Malta
Centenas de pessoas protestaram em frente ao parlamento de La Valetta gritando “Vergonha” e “assassinos”, e com cartazes como “Joseph (Muscat), és o próximo”.

Segundo o jornal Times of Malta, Melvin Theuma, que serviu de intermediário entre os executores e Fenech, os assassinos cobraram 150 mil euros para matar a jornalista. Theuma foi preso em 14 de novembro e confessou detalhes do assassinato em troca de perdão. 

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