“Não dá para usar a palavra AI-5 como se fosse bom dia”, diz Maia sobre fala de Guedes

Redação Portal IMPRENSA | 26/11/2019 13:30
Menos de um mês após Carlos Bolsonaro ter defendido o AI-5, em uma entrevista, a declaração do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a possibilidade da volta do momento mais duro do regime militar causou indignação da sociedade civil, do STF e de políticos.

“É irresponsável chamar alguém pra rua agora pra fazer quebradeira. Pra dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém pra quebrar nada na rua. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?” disse Guedes ontem, em Washington, após participar de encontro com empresários.

Crédito:BBC
Ao perceber que tinha tocado em um tema sensível, disse que estava falando em off, mas foi informado de que a coletiva tinha transmissão em tempo real.

“O AI-5 é incompatível com a democracia. Não se constrói o futuro com experiências fracassadas do passado", rebateu o presidente do STF, Dias Toffoli. 

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que Guedes deveria procurar informações no Google sobre o período. “Não dá para usar a palavra AI-5 como se fosse bom dia ou boa noite”, disse Maia. “O que manifestação de rua tem a ver com AI-5? Fechamento do Congresso? Das assembleias?”

“Para entender o que significa a nova moda de mencionar o “AI 5” a todo momento, sugiro o livro “Brasil Nunca Mais”, coordenado pelo cardeal Dom Paulo Evaristo Arns e outros líderes religiosos. E lembro que a Alemanha até hoje não admite a propaganda do nazismo. Um bom exemplo”, escreveu Flávio Dino, governador do Maranhão. 

Questionado, o presidente Jair Bolsonaro evitou comentar as declarações do ministro da Economia. "Agora, a economia, como eu disse, eu sou o técnico de futebol e quem entra em campo são os 22 ministros. É o Paulo Guedes quem está jogando na economia", disse.

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