"Henry Sobel foi a 1a pessoa, representando uma instituição, que denunciou o assassinato do meu pai", diz Ivo Herzog

Redação Portal IMPRENSA | 22/11/2019 15:07
Em homenagem a Henry Sobel, que morreu nesta sexta, 22, Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura militar brasileira, postou nas redes sociais um texto lembrando que o rabino de origem americana foi a "primeira pessoa, representando uma instituição", que denunciou o assassinato de seu pai.  
Crédito:Reprodução TV Cultura
Sobel interveio para que o jornalista Vladimir Herzog não fosse enterrado como suicida

Ivo lembrou que, junto com dom Paulo Evaristo Arns e James Wright, Sobel "corajosamente promoveu e esteve presente no ato ecumênico em memória" de Vladimir Herzog realizado na Catedral da Sé.


"Quebrando protocolos do judaísmo, enfrentando resistência dentro da comunidade judaica, foi um dos protagonistas que abriram caminho para o fim da ditadura no Brasil. Se meu pai foi uma das vítimas daquele período, Henry Sobel foi um dos grandes heróis. Registro aqui minha homenagem e saudades desta pessoa que faz parte da minha vida", postou Ivo. 

Em postagem no Twitter, o programa Roda Viva, da TV Cultura, também homenageou Sobel, compartilhando um trecho de uma entrevista que ele deu ao programa em 25 de novembro de 2013, quando falou exatamente sobre sua ação para impedir que Vladimir Herzog fosse enterrado como suicida. 

"A versão oficial, vocês sabem tão bem quanto eu, foi de suicídio. Eu não podia aceitar a versão oficial do establishment militar, porque contraria a verdade", disse Sobel aos entrevistadores do Roda Viva, lembrando que, de acordo com a lei judaica, o corpo precisa ser lavado antes de ser enterrado. "O corpo não estava intacto. Por causa disso, nós enterramos ele (sic) do jeito que quisemos."