Radialista é afastado da BandNews após ataques homofóbicos a jornalista do JN

Redação Portal IMPRENSA | 18/11/2019 16:35
O radialista Luiz Gama foi afastado da Band News FM, em Goiânia, após fazer ataques homofóbicos ao jornalista Matheus Ribeiro, o primeiro assumidamente homossexual a apresentar o Jornal Nacional, da TV Globo.
Crédito:Reprodução
A decisão foi anunciada ao vivo pela rádio, que afirmou ser contra qualquer tipo de preconceito, além de defender o respeito à orientação sexual e a cor da pele. Segundo o diretor da BandNews, Marcos Villas Boas, Gama é locutor de uma empresa terceirizada pela Band e já foi solicitada sua substituição.

"Putz! Onde o Brasil vai parar? Queimar a rosca agora é moda. Um apresentador de telejornal de qualidade média virou a bola da vez no jornalismo nacional só porque revelou que sua rosquinha está à disposição. A qualidade profissional que se f…”, escreveu Gama no Twitter.

Em outro tuíte, Gama fez comentários racistas ao dizer apoiar a decisão do presidente Jair Bolsonaro de acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

“Jair Bolsonaro está corretíssimo ao acabar com o registro na DRT e por acabar com a exigência de diploma para jornalistas. Afinal, tem uma fraquíssima em rede nacional só por causa da cor de pele e outro comunzão fazendo fama só porque avisou que queima a rosca”, escreveu. 

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás divulgou nota contra as declarações do radialista. “O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no estado de Góias vem, publicamente, repudiar as graves acusações sofridas recentemente por jornalistas, que se viram caluniados em suas ascensões profissionais com insinuações de ligações dessas promoções com suas orientações sexuais e a cor de suas peles”.

A nota também defende a necessidade de registro para exercer a profissão de jornalista. “A necessidade de manutenção do registro profissional se faz ainda mais premente, principalmente quando vemos que um dos detratores é pessoa que apenas se diz jornalista, sem ter qualquer formação profissional e ética para exercer tão digna profissão”. 
Crédito:Reprodução


Em entrevista à coluna F5, da Folha, a advogada de Ribeiro, Maria Thereza Alencastro, afirmou que será pedida indenização por danos morais e crime de racismo - no qual a homofobia foi incluída pelo STF (Superior Tribunal Federal).

"Matheus, que tem visibilidade, por seus próprios méritos - diga-se de passagem, tem esta obrigação. Não para se proteger, já que a ele estes comentários não prejudicam, mas para proteger todos que não têm voz como ele. Estas pessoas, as homofóbicas, precisam de resposta à altura", diz Alencastro.

Leia também:
Políticos e entidades criticam MP que acaba com exigência de registro para jornalistas
Jovem Pan demite comentarista após declarações machistas