Queima da casa de Casimira Lema foi a mais grave violência contra um jornalista na crise boliviana

Redação Portal IMPRENSA | 14/11/2019 18:22
Em entrevista à Voz de América, organização internacional de mídia dos EUA, o presidente da Asociación Nacional de la Prensa en Bolivia, Marco Dipp, afirmou que os profissionais de jornalismo do país estão enfrentando o período mais crítico em "mais de 30 anos de vida democrática" no país.   

"O clima de polarização extrema que está vivendo a Bolívia levou a uma situação de virulência, intolerância e intimidação nunca antes registrada para o trabalho de jornalistas e meios de comunicação", resume Dipp. 
Crédito:Reprodução AFD
Marco Dipp, presidente da Associação de Imprensa da Bolívia: jornalistas estão no meio fogo cruzado
O dirigente lembra que os jornalistas bolivianos estão no meio do fogo cruzado, sofrendo ataques de apoiadores e de opositores de Evo Morales. Por sinal, a mais grave violência contra um jornalista que ocorreu até o momento na crise que o país atravessa foi a queima da casa da jornalista Casimira Lema, em La Paz, num feito protagonizado por setores ligados ao Movimiento al Socialismo (pró-Evo).

"Em cidades como Cochabamba e La Paz, onde a representatividade do Movimiento al Socialismo é maior, os ataques contra jornalistas partem de setores pró-Evo", explica Dipp. 

Já na parte oriental da Bolívia (nas cidades de Santa Cruz e Beni, onde a presença dos opositores é mais forte), o diretor da Associação de Imprensa da Bolívia informa que muitos jornalistas foram acusados de ser favoráveis ao governo de Evo Morales. 

Além do incêndio na casa da jornalista Casimira Lema, Dipp informa que nas últimas três semanas 14 meios de comunicação foram atacados na Bolívia. O caso mais emblemático foi a suspensão da circulação do jornal Página 7, em La Paz, e dos jornais Los Tiempos e Opinión, de Cochabamba. 

A transmissão da tv estatal Estado de Bolivia também foi interrompida. No total foram registradas 64 agressões contra jornalistas em praticamente todo o país, incluindo nas cidades de La Paz, El Alto, Oruro, Cochabamba e Santa Cruz.

Dipp também informa que todos os casos de violência contra jornalistas e veículos de imprensa foram reportados a organismos com os quais sua entidade tem contato, como a Comissão Interamericana, a Relatoria Especial para Liberdade de Expressão, a ONU e a Sociedade Interamericana de Imprensa. 

"Estas e outras instituições estão alarmadas e muito preocupadas com a situação", finaliza o presidente da Asociación Nacional de la Prensa en Bolivia.