Jornal O Pasquim ganha exposição comemorativa de 50 anos

Redação Portal IMPRENSA | 11/11/2019 12:38
O Sesc Ipiranga, em São Paulo, receberá a exposição “O Pasquim 50 anos” a partir de 19 de novembro. A mostra comemora o aniversário de meio século da primeira edição do jornal carioca fundado em 1969. A curadoria é de Zélio Alves Pinto e Fernando Coelho dos Santos. 

“Acho importante contar a história de como foi esse jornal que, em 20 números, aumentou a tiragem de forma exponencial e passou a produzir 200 mil exemplares por semana”, explica Coelho.

A história do semanário ocupará toda a unidade com diferentes formatos. Haverá área destinada principalmente à leitura. Ainda terá o espaço “O Som do Pasquim” que traz discos de vinil lançados ao longo da história do jornal.

Além disso, o público poderá ouvir o LP Anedotas do Pasquim com piadas contadas por Ziraldo, Chico Anisio, Golias e Zé Vasconcelos. Ainda no espaço, uma Linha do Tempo, com 50 capas e textos complementares, proporciona uma viagem entre o período de 1969 a 1991 - ano da última publicação do periódico.

Crédito:Divulgação Sesc
O Pasquim digitalizado  
Durante a abertura da exposição, haverá o lançamento da página do jornal na plataforma digital da Biblioteca Nacional, que disponibilizará todas as edições do periódico para pesquisa. 

Além de todas as 1.072 edições digitalizadas, a plataforma possibilita a pesquisa no conteúdo por meio de palavras-chaves. O trabalho de digitalização levou mais de um ano e teve o apoio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do cartunista Ziraldo, que cederam exemplares para completar a coleção da Biblioteca Nacional, além da colaboração de Fernando Coelho dos Santos com a produção de conteúdo.

 “Além do conteúdo textual, o pesquisador poderá encontrar de uma maneira mais fácil as charges do Jaguar, os desenhos do Miguel Paiva ou do Millôr. De toda esta turma que fazia o jornal acontecer”, explica o historiador da Biblioteca Nacional, Vinícius Martins.

A plataforma conta também com uma seção de “memórias”, com textos produzidos por colaboradores do Pasquim e índices de seções do jornal, proporcionando uma nova experiência para o público. Foram identificados mais de quatro mil colaboradores e mais de 200 seções ao longo dos 22 anos em que o Pasquim circulou.

Crédito:Divulgação Sesc


O Pasquim
O Pasquim surgiu no final da década de 60 como um projeto do cartunista Jaguar e dos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral. Jovial e debochado, tornou-se símbolo do jornalismo alternativo durante a ditadura civil-militar brasileira, regime instaurado entre 1964 e 1985. Seu ar cômico e irreverente desafiava os preceitos morais da elite carioca. Reportagens e artigos comportamentais, que falavam sobre sexo, drogas e divórcio, conquistavam leitores e promoviam discussões singulares para a época.

Responsável por realizar um jornalismo mais oralizado, o semanário ficou conhecido por suas longas entrevistas, feitas principalmente em ambientes festivos, cheias de intromissões dos colaboradores. Batizada de “a patota”, as reuniões de pauta uniam jornalistas, cartunistas e intelectuais como Millôr Fernandes, Ziraldo, Jaguar, Chico Buarque, Ivan Lessa, Paulo Francis, Vinícius de Moraes, Glauber Rocha, Odete Lara, Carlos Prósperi, Sérgio Augusto, Henfil, Fortuna, Cacá Diegues, Miguel Paiva, Carlos Leonam, entre tantos outros.

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