Cooperativa de jornalismo investigativo criada em 2017, Liga Contra El Silencio ganha espaço na imprensa colombiana

Redação Portal IMPRENSA | 06/11/2019 14:56
Assinada pela jornalista colombiana Megan Janetsky, uma reportagem publicada nesta quarta, 6 de novembro, pelo instituto americano Poynter (voltado ao ensino de jornalismo), informa que, para tentar minimizar os efeitos de décadas de ameaças de morte, corrupção, sequestros, censura, assédio judicial, agressões físicas, assassinatos e violência sexual contra profissionais de imprensa na Colômbia, um grupo de jornalistas do país criou em 2017 a "La Liga Contra El Silencio".

Trata-se de um cooperativa de jornalismo que busca dar voz a reportagens investigativas de fôlego. A iniciativa, conta Janetsky, começou pequena, mas hoje envolve 16 organizações independentes e centenas de jornalistas. "Hoje é comum ler reportagens na imprensa colombiana com a frase 'segundo informações da Liga Contra o Silêncio", informa Janetsky. 
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Mais de 16 organizações independentes e centenas de jornalistas formam a Liga Contra o Silêncio 

Além do esforço para eliminar a censura e os riscos que os profissionais de imprensa passam no país, a ideia central é  investigar histórias pelas quais os veículos de comunicação tradicionais não se interessam. 

Foi o caso da reportagem que revelou que a Postobón, poderosa indústria de bebidas saborizadas da Colômbia, estava fazendo testes de laboratório em crianças de uma das zonas mais pobres do país. Outra reportagem da Liga que está repercutindo na Colômbia investiga um esquema de abuso sexual e corrupção no futebol feminino do país. 

Apesar do processo de pacificação observado nos últimos anos, a Colômbia continua um dos países mais perigosos do mundo para jornalistas, ocupando a posição 129 do ranking de 2019 da World Press Freedom. Contemplando 180 países, o levantamento coloca a Colômbia atrás de países como Afeganistão, Guatemala, Nicarágua e Nigéria quando o assunto é liberdade de imprensa.  

Somente em 2019, houve 340 violações documentadas à liberdade de imprensa na Colômbia, incluindo 3 assassinatos, um estupro e 5 assassinatos de jornalistas. Um dos casos mais recentes foi o assassinato do jornalista Javier Córdoba Chaguendo enquanto ele transmitia um programa de rádio na cidade de Tumaco.