Relatora que investigou assassinato do jornalista Jamal Khashoggi reitera que crime foi um "assunto de estado"

Redação Portal IMPRENSA | 28/10/2019 17:53
Relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, Agnes Callamard reiterou nesta segunda, 28 de outubro, no prédio do Secretariado da ONU em Nova Iorque, que não tem dúvidas de que o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi fazia parte de um “plano”.

A morte ocorreu no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 22 de outubro de 2018. A relatora liderou um grupo de investigação internacional sobre o assassinato, do qual fizeram parte o perito forense português Duarte Nuno Vieira e os investigadores Helena Kennedy e Paul Johnston.

A investigação resultou em um relatório de 100 páginas sobre a morte de Jamal Khashoggi, feito com base em provas criminais coletadas na Turquia com base na lei internacional dos direitos humanos.

Em conversa com jornalistas, a especialista lamentou que a ONU não tenha aproveitado essa oportunidade para ir mais a fundo “no  entendimento sobre a cadeia de comando” que culminou com a morte. A especialista afirmou que após o assassinato, ao menos 17 sauditas limparam a cena do crime.

Para a relatora, o assassinato foi inegavelmente um assunto “de Estado”. Ela disse não saber se o príncipe herdeiro saudita Mohammad bin Salman deu ordens para realizar o crime, mas afirmou haver “provas suficientes apontando para a responsabilidade dele em algum nível. 

Callamard explicou ainda que seu mandato para investigar o assassinato de Khashoggi estava dentro da estrutura de direitos humanos, condição que não lhe permitiu "realizar uma investigação aprofundada sobre a culpabilidade individual”.